Para Amorim, não há razão para o Brasil receber presos de Guantánamo

O chanceler Celso Amorim
Image caption Amorim (em foto de arquivo) diz que Brasil não queria importar problema

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta sexta-feira que o Brasil não tinha motivos para receber detentos do presídio da base americana de Guantánamo – em Cuba - nem para “importar” um problema externo.

As declarações foram uma resposta do ministro à divulgação pelo site Wikileaks, nesta sexta-feira, de telegramas confidenciais do Departamento de Estado dos EUA indicando que Washington pediu, durante anos, que o Brasil recebesse presos de Guantánamo.

“Houve sondagens efetivas, mas o Brasil não achou adequado recebê-los (os presos) por várias razões. Algumas eram pessoas suspeitas de terrorismo. O mais normal seria, se eram inocentes, que encontrassem de volta seu caminho na vida. Não havia razão para a gente importar um problema que não tem nada a ver conosco”, disse Amorim, segundo a Agência Brasil.

O presídio de Guantánamo foi aberto após o 11 de Setembro para abrigar suspeitos de terrorismo. A maioria, no entanto, não recebeu julgamento. Em meio a denúncias de tortura, o presídio motivou críticas aos EUA.

Ao tomar posse, em 2008, o presidente Barack Obama prometeu o fechamento do presídio - o que ainda não conseguiu cumprir.

O governo americano pediu a diversos países que recebessem detentos de Guantánamo, com poucos resultados até o momento.

Honduras

Também segundo a Agência Brasil, Amorim minimizou eventual mal-estar causado pelos vazamentos de telegramas diplomáticos pelo Wikileaks.

“Tem coisas que ou a gente já sabia ou são interpretações subjetivas de agentes diplomáticos”, disse em viagem ao Rio de Janeiro nesta sexta.

Mas o chanceler disse ter achado relevante a divulgação de um despacho de 2009 do embaixador norte-americano em Honduras, Hugo Llorens, dizendo que a destituição do ex-presidente do país Manuel Zelaya, no mesmo ano, foi “ilegal” e “inconstitucional”.

“Isso é muito interessante, porque nós (governo) fomos muito criticados, por muitos, inclusive por alguns de vocês (da imprensa)”, disse o chanceler, referindo-se às críticas recebidas pela atuação do governo brasileiro durante a crise em Honduras.

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