Após pressão do governo, controladores aéreos voltam ao trabalho na Espanha

Aeroporto em Madri
Image caption Greve já afetou 600 mil passageiros desde a sexta-feira

Autoridades espanholas afirmaram neste sábado que os controladores aéreos do país estão voltando ao trabalho, depois de o governo ter decretado estado de alerta para lidar com a greve.

Com a medida, os funcionários que não voltarem ao trabalho podem ser processados criminalmente, sob o código penal militar.

Na paralisação, que teve início na sexta-feira, cerca de 90% dos controladores do país cruzaram os braços, obrigando o governo a transferir o controle dos aeroportos para os militares.

Apesar da retomada de muitos voos, vários aeroportos espanhóis permaneciam fechados, segundo o jornal espanhol El País. E a situação ainda era de caos em muitos deles.

O ministro dos Transportes, José Blanco López, afirmou que a situação só deve se normalizar na segunda-feira. "Só voltaremos à normalidade daqui a 24 ou 48 horas. Isso se todos os controladores voltarem ao trabalho, como deveriam."

Feriado frustrado

Desde sexta-feira, dezenas de milhares de pessoas não conseguiram embarcar, provocando o caos em todos os aeroportos da Espanha - justamente às vésperas de um feriado prolongado no país.

De acordo com o jornal, a estimativa é a de que 600 mil pessoas tenham sido afetadas pela greve.

A possibilidade de processar funcionários durante o estado de alerta consta em uma lei, que foi usada neste fim de semana pela primeira vez desde sua criação em 1975, após a morte do ditador Francisco Franco.

Os controladores protestavam contra o aumento da carga horária e exigiam melhoras salariais.

Segundo a correspondente da BBC em Madri Sarah Rainsford, o clima nos aeroportos espanhóis era de frustração e raiva.

Ela explica que a categoria não é vista com muita simpatia pela população. Isso porque os controladores ganham cerca de US$ 400 mil dólares anuais, em um país que enfrenta uma taxa de desemprego de 20%.

‘Privilégios inaceitáveis’

Ao anunciar o estado de alerta, o vice-primeiro-ministro, Alfredo Pérez Rubalcaba, disse que os controladores de tráfego aéreo estão tentando proteger “privilégios inaceitáveis”.

“O efeito imediato (do estado de alerta) é de que os controladores estão agora sob ordem de retornar ao trabalho e podem ser processados criminalmente sob o código penal militar em caso de recusa. O estado de alerta vai durar inicialmente 15 dias”, afirmou.

Os controladores já estavam envolvidos em uma disputa com o governo por causa da carga horária de trabalho, mas decidiram pela greve em resposta a medidas aprovadas na sexta-feira para privatizar a empresa responsável pela administração dos aeroportos, AENA.

O decreto do governo determinava ainda que os controladores passassem a ser subordinados ao Ministério da Defesa e que eles fossem examinados por médicos do órgão para comprovar faltas por doenças.

A norma também ampliou a jornada de trabalho de 1.200 horas anuais para 1.670.

“Chegamos ao nosso limite mentalmente com o novo decreto aprovado nesta manhã nos obrigando a trabalhar mais horas”, disse Jorge Ontiveros, porta-voz do Sindicato de Controladores Aéreos.

“Tomamos a decisão individualmente, mas isso se espalhou entre outros colegas que pararam de trabalhar porque não podem continuar desse jeito. Nesta situação, não podemos controlar aviões”, afirmou.

O presidente da AENA, Juan Ignacio Lema, disse que a greve era “intolerável” e disse que os controladores devem “parar de chantagear o povo espanhol”.

O ministro dos Transportes, José Blanco, também condenou a greve, dizendo que os envolvidos estão “usando os cidadãos como reféns”.

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