China diz que pedidos para libertação de Nobel são 'interferência'

Image caption Preparativos para cerimônia do Nobel, concedido a Liu Xiaobo

A China qualificou nesta quinta-feira de "interferência flagrante" em seus assuntos domésticos a aprovação de uma resolução do Congresso americano pedindo a libertação do prêmio Nobel da Paz deste ano, o dissidente Liu Xiaobo.

A resolução foi aprovada pela Câmara dos Representantes por 402 votos contra um. O texto congratula o dissidente chinês Liu Xiaobo, premiado, e pede reformas democráticas na China.

Uma porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores chinês disse que a aprovação da resolução americana é "arrogante" e acrescentou que os países que comparecerem à cerimônia de premiação do Nobel estarão desrespeitando os chineses.

"Esperamos que os países que receberam o convite (para a cerimônia) sejam capazes de distinguir entre o certo e o errado", disse a porta-voz.

A China diz que Liu Xiaobo é criminoso por incitar a subversão contra o regime do país.

Leia também na BBC Brasil: Entrega de Nobel da Paz terá ausência de 19 países

<b>Sites bloqueados</b>

Às vésperas da cerimônia de premiação, marcada para a sexta-feira em Oslo, na Noruega, sites noticiosos foram bloqueados na China, inclusive o da BBC.

Desde o início desta quinta-feira, o tráfego de usuários chineses no site da organização britânica registrou uma dramática queda na audiência.

A impossibilidade de acesso foi registrada por usuários em diversas partes da China.

Desde os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, quando as restrições aos sites de notícias foram relaxadas, a BBC não era bloqueada no país.

O escritório chinês da agência de notícias AFP informou que também tentou – e não conseguiu – acessar outros sites de notícias, como o da rede americana CNN e a empresa pública de notícias da Noruega, da NRK.

Quando o comitê do Nobel anunciou que a premiação seria dada a Liu Xiaobo, há dois meses, as primeiras informações foram bloqueadas em canais de TV que, além da CNN e da BBC, incluíam a emissora francesa por satélite TV5.

A TV estatal chinesa, CCTV, não noticiou a premiação.

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