Famosos pedem libertação de Sakineh em carta aberta

Sakineh Ashtiani e seu filho, Sajjad Ghaderzadeh
Image caption Segundo Press TV, imagens mostram uma reconstituição do crime

Algumas das personalidades mais famosas do mundo divulgaram uma carta aberta pedindo a libertação da iraniana sentenciada à morte por apedrejamento.

"Sakineh Mohammadi Ashtiani já sofreu demais", diz a carta, assinada por mais de 80 artistas, acadêmicos, políticos e atores, entre eles o diretor brasileiro Fernando Meirelles, Robert de Niro, Sting, Robert Redford, Juliette Binoche, Mia Farrow, os escritores V. S. Naipaul e Wole Soyinka e o líder do Partido Trabalhista britânico, Ed Miliband.

"Forçado por pressão internacional a suspender sua execução por apedrejamento por um suposto adultério, o governo iraniano agora tenta ressuscitar a acusação de que ela assassinou seu marido, acusação pela qual ela já foi julgada", diz a carta.

"Ela já passou cinco anos na prisão e recebeu 99 chibatadas, enquanto o homem que foi condenado pelo assassinato de seu marido, e com quem ela supostamente teria tido um caso, está agora em liberdade, tendo sido perdoado pelos filhos da senhora Ashtiani."

'Documentário'

A carta endereçada ao aiatolá Ali Khamenei e ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pede ainda a libertação imediata de Sakineh e também de seu filho Sajad Ghaderzade e seu advogado Javid Houtan Kian, presos por terem divulgado o caso para a mídia ocidental.

Na sexta-feira, o canal de TV estatal iraniano Press TV exibiu um "documentário" sobre o caso. Sakineh teria sido tirada de sua cela e levada para casa para filmar uma "reconstituição" do assassinato de seu marido, em 2005.

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Nas imagens, uma mulher identificada como Sakineh conta que foi contatada por um parente chamado Isa Taheri, concordou em encontrar com ele em um parque, começou um caso com ele e finalmente aceitou ajudá-lo quando ele telefonou um dia dizendo que queria matar seu marido.

Ativistas contra a condenação de Sakineh dizem que ela foi coagida a participar das gravações, assim como em "confissões" televisadas transmitidas anteriormente pelo canal estatal.