Manifestantes e policiais se enfrentam em Atenas em greve geral contra medidas para conter crise

A greve geral também afetou o atendimento em hospitais e deixou diversas escolas fechadas.
Image caption Policiais tentam escapar de bomba incendiária no centro de Atenas

Policiais e manifestantes se enfrentaram nesta quarta-feira nas ruas da capital da Grécia, Atenas, em meio a uma greve geral e a protestos devido ao plano de austeridade financeira proposto pelo governo e aprovado pelo Parlamento.

Os confrontos ocorrem na Praça Syntagma, do lado de fora do Parlamento grego, onde manifestantes destruíram carros, arremessaram coquetéis Molotov e pedras contra os policiais, que responderam jogando bombas de gás lacrimogêneo.

Segundo o correspondente da BBC em Atenas Malcolm Brabant, os participantes dos protestos também perseguiram e agrediram o congressista conservador e ex-ministro Kostis Hatzidakis depois que ele saiu do prédio do Parlamento.

Hatzidakis foi atacado sob gritos de "ladrão". Testemunhas afirmam que o ex-ministro ficou com o rosto ensanguentado. Brabant definiu os confrontos como "violentos" e "muito graves".

A greve geral convocada por diversos sindicatos afetou os serviços de transporte, como trens e táxis, prejudicando o trânsito em Atenas. Além disto, diversos aviões foram impedidos de decolar nos aeroportos do país.

A greve geral também afetou o atendimento em hospitais e deixou diversas escolas fechadas.

Esta é a sétima paralisação na Grécia somente este ano devido ao ajuste fiscal iniciado pelo governo em maio, quando o país recebeu uma ajuda financeira de 110 bilhões de euros (cerca de R$ 250 bilhões) do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia (UE).

Trabalhadores de outros países europeus, como Espanha e Irlanda, também marcaram greves gerais e manifestações nesta quarta-feira, em protesto contra os ajustes econômicos impostos pelos governos.

Reformas aprovadas

Nessa terça-feira, o Parlamento da Grécia aprovou reformas que, entre outros pontos, estabelece um teto para os salários de funcionários de vários serviços públicos, como dos transportes.

Já no setor privado, os empregadores não precisarão mais respeitar acordos negociados pelos sindicatos e poderão definir eles mesmos os salários dos trabalhadores.

Malcolm Brabant afirma que o governo se recusou a sair do curso das reformas propostas, apesar da pressão dos sindicatos.

O repórter da BBC diz ainda que muitos gregos apóiam a greve geral, por acreditar que os trabalhadores do país estão sendo sacrificados pelo FMI e pela UE em um grande experimento econômico.

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