Frio nas ruas: metrô é refúgio para sem-teto em Londres

Alan, que vive nas ruas de Londres há 30 anos
Image caption Alan diz ganhar o equivalente a R$ 52 por dia com esmolas

Alan, um escocês de meia-idade, passa a maior parte do seu tempo numa estação de metrô no centro de Londres.

A cada hora, centenas de pessoas cruzam com ele a caminho do trabalho ou de casa. Algumas param para lhe dar dinheiro, mas a maioria ignora os seus pedidos.

Nesta época do ano, as ruas de Londres são iluminadas por luzes de Natal e as lojas se enchem de turistas e compradores.

Mas, para Alan, a vida fica mais difícil no inverno. Embora o metrô londrino seja sujo e agitado, ele oferece um alívio para o frio das ruas.

O escocês mudou-se para Londres em 1977, após brigar com o pai. Ele logo começou a viver nas ruas e passou algum tempo preso por delitos relacionados com violência.

Mais de 30 anos depois, ele ainda depende da generosidade alheia para sobreviver.

“A pior coisa de ficar nas ruas é o frio”, diz Alan. “Agora estou sofrendo; depois de mais de 30 anos, meu corpo está começando a deixar de funcionar com o frio.”

Alan é uma entre cerca de 240 pessoas que dormem todas as noites nas ruas de Londres. Segundo dados de uma entidade beneficente financiada pelo governo, havia 3.673 sem-teto na cidade em 2009 - a maioria, porém, passa a noite em abrigos.

Meta governamental

O governo londrino anunciou a meta de acabar com a situação até o fim de 2012.

A ideia veio da caridade Homeless Link, que trabalha com o governo para combater a falta de moradias em Londres.

Jenny Edwards, diretora-executiva da organização, diz que os Jogos Olímpicos de 2012 deveriam ser um incentivo para tirar todos os sem-teto das ruas.

A Homeless Link diz que, ao enfocar quem corre mais riscos de se tornar sem-teto, conseguirá interromper o fluxo de pessoas mudando-se para as ruas até 2012. A organização cita pobreza, dívidas, doenças mentais, vício e luto como as principais causas para o problema.

Albergues

Nem todo morador de rua está disposto a ir para um albergue. Alan recebeu várias ofertas, mas se recusa a se mudar.

“Me recuso a ir para um albergue com viciados em drogas”, diz ele. Bill, seu amigo, diz que se tornou viciado em crack após se mudar para um albergue.

Bob Baker, funcionário da caridade Simon Community, diz que as condições em alguns albergues tornam difícil a meta de erradicar o problema em 2012.

Mas para Jenny Edwards, da Homeless Link, a acomodação para moradores de rua melhorou nos últimos anos.

“Há 30 anos, elas eram locais sujos, perigosos onde ninguém iria a menos que estivesse completamente desesperado”, diz.

“Mas agora toda Londres tem lugares onde as pessoas podem ter os próprios quartos, seus próprios banheiros, podem trancar suas portas e ficar longe das pessoas.”

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