Europa

Despreparo para lidar com neve é inaceitável, diz comissário europeu

Passageiros esperam no terminal 1 de Heathrow

A neve provocou cancelamentos no aeroporto de Heathrow

Um representante da Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, criticou nesta terça-feira o que qualifica de falta de infraestrutura e despreparo dos transportes para enfrentar a onda de frio que atinge o continente desde o fim da semana passado.

Dezenas de milhares de pessoas voltaram a passar a noite em aeroportos e estações de trem na Europa, onde permanecem retidas por causa dos atrasos e cancelamentos.

O vice-presidente da Comissão Europeia Siim Kallas, responsável pela pasta de transportes, disse em comunicado que a situação é “inaceitável” e que a infraestrutura aeroportuária disponível às empresas aéreas é um “elo fraco em uma cadeia que, sob pressão, está contribuindo para severas interrupções (nos transportes)”.

“Os aeroportos devem levar a sério o planejamento para esse tipo de condição climática extrema”, prosseguiu Kallas. “Neve não é uma circunstância excepcional na Europa Ocidental. Melhor preparo, como o feito no norte europeu, não é algo opcional. Deve haver planejamento e o investimento necessário, principalmente nos aeroportos.”

Grã-Bretanha, França e Alemanha estão entre os países mais afetados pelo mau tempo. Segundo as previsões, o frio deve continuar nos próximos dias.

Aeroportos afetados

No aeroporto internacional de Heathrow, em Londres, um dos mais movimentados do mundo, mais da metade dos voos havia sida cancelada. Centenas de passageiros desesperados para viajar antes do Natal vêm passando as noites no saguão à espera de informações sobre suas partidas.

Ao sul de Londres, o aeroporto de Gatwick, o segundo maior da Grã-Bretanha, reabriu às 6h desta terça-feira após ter ficado fechado desde a noite anterior.

Os serviços de trem entre a Grã-Bretanha e o continente europeu, pelo Eurostar, também foram afetados por grandes atrasos, com a limitação de velocidade imposta pelo gelo e pela neve acumulados nos trilhos.

Na Irlanda, o aeroporto de Dublin anunciou a suspensão de todos os voos até o final desta tarde, por causa do gelo presente na pista.

O aeroporto Charles de Gaulle, na região de Paris, tinha três de suas quatro pistas abertas, mas a maioria dos voos de curta distância foi cancelada para permitir que os passageiros de longa distância pudessem viajar.

No aeroporto de Orly, que também serve a capital francesa, as duas pistas estavam abertas, mas alguns voos enfrentavam atrasos de mais de três horas.

Na Alemanha, mais de mil voos foram cancelados nos aeroportos de Frankfurt, Munique e Berlim. Em Frankfurt, a administração aeroportuária empregou palhaços para tentar melhorar o humor das pessoas que tiveram que passar a noite no local.

As companhias aéreas que operam no país sugeriam aos passageiros que viajassem de trem, mas as operadoras ferroviárias, com seus serviços já superlotados, pediam às pessoas que ficassem em casa.

Cenas dramáticas

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As cenas mais dramáticas foram vistas em Londres, onde, após mais de 48 horas da última forte nevasca, pessoas com passagens válidas para o dia eram impedidas de entrar no aeroporto de Heathrow, lotado com as pessoas que não puderam viajar nos dias anteriores.

Todos os voos de curta distância foram cancelados, e apenas uma das pistas estava em operação em Heathrow.

Apesar de um relaxamento da proibição de voos noturnos para tentar reduzir o acúmulo de passageiros de voos cancelados ou atrasados, as autoridades locais dizem que a situação somente voltará ao normal após o Natal ou mesmo mais tarde, caso volte a nevar.

O caos no aeroporto londrino levou o prefeito da cidade, Boris Johnson, a também criticar as autoridades aeroportuárias.

“Certamente não pode estar além da capacidade humana encontrar pás, escavadeiras, limpadores de neve ou o que seja para limpar a neve da pista, colocar os aviões em movimento e ter mais do que uma pista funcionando”, afirmou.

Segundo a BAA, empresa que administra o aeroporto de Heathrow, o grande volume de neve no sábado provocou o acúmulo de gelo no entorno das aeronaves, ameaçando a segurança.

De acordo com analistas, os problemas com o frio vêm provocando um impacto negativo sobre a já combalida economia britânica.

O caos nos aeroportos estaria custando cerca de 65 milhões de libras (cerca de R$ 170 milhões) por dia à British Airways, a maior companhia aérea do país.

O comércio também vem sofrendo. O movimento nas lojas, a menos de uma semana do Natal, sofreu uma queda de 25%.

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