ONU diz que 173 morreram na última semana na Costa do Marfim

Forças de paz da ONU
Image caption Forças da ONU estão protegendo o oposicionista Alassane Ouattara

O ONU informou nesta quinta-feira que 173 pessoas morreram na última semana na violência que se seguiu às eleições presidenciais na Costa do Marfim, realizadas no mês passado.

A informação foi divulgada em meio à pressão para que o presidente Laurent Gbagbo deixe o cargo e aceite a derrota para o oposicionista Alassane Ouattara.

A ONU e as principais potências ocidentais reconheceram Ouattara como o novo presidente. Os Estados Unidos disseram estar explorando formas de fortalecer a presença da ONU na Costa do Marfim.

Na terça-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, acusou aliados de Gbagbo de impedir o trabalho da organização no país.

A ONU acusou ainda Gbagbo de recrutar mercenários liberianos para auxiliar as tropas do país na repressão à oposição.

Tribunal Penal Internacional

A Comissão de Direitos Humanos da ONU está reunida nesta quinta-feira em Genebra para discutir a crise.

Segundo a comissão, além das 173 pessoas que foram mortas na última semana, quase 500 foram presas.

O correspondente da BBC na capital marfinense, Abidjan, Thomas Fessy, diz que há relatos de invasões noturnas em áreas com maioria de simpatizantes de Ouattara, mas as forças de Gbagbo estariam bloqueando o acesso a essas regiões, tornando as mortes difíceis de serem verificadas.

Os simpatizantes de Ouattara pediram que o Tribunal Penal Internacional julgue os crimes cometidos pelos aliados de Gbagbo. Ouattara e seus aliados estão alojados em um hotel da capital, protegidos por 800 soldados das forças de paz da ONU.

Para William Fitzgerald, funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos encarregado de assuntos relacionados à África Ocidental, o fato de que os países africanos convocaram a reunião da comissão de direitos humanos da ONU “mostra claramente o quão unificados estão os africanos e a pressão que isso continuará a colocar sobre Gbagbo”.

Reunião especial

O grupo regional de países do oeste africano, Ecowas, fará uma reunião especial nesta sexta-feira na capital da Nigéria, Abuja, para considerar maneiras de tirar Gbagbo do poder, segundo Fitzgerald.

Gbagbo diz que a votação do dia 28 de novembro, que tinha como objetivo unificar o país após a guerra civil iniciada em 2002, foi fraudada em áreas do norte do país, controladas por rebeldes aliados a Ouattara.

Poucos dias após a votação, a Comissão Eleitoral Independente (CEI) declarou Ouattara vencedor com 54,1% dos votos válidos, contra 45,9% de Gbagbo.

Mas após o atual presidente e seus simpatizantes terem reclamado da suposta fraude, o Conselho Constitucional alterou o resultado e anunciou que Gbagbo foi o vencedor, com 51% dos votos.

Ambos os candidatos participaram de cerimônias de posse quase simultâneas e reivindicam a Presidência.

Apoio das Forças Armadas

O atual presidente, que tem o apoio das Forças Armadas, está no cargo desde 2000. Seu atual mandato expirou em 2005, mas a eleição presidencial vinha sendo adiada desde então sob o argumento de que não havia segurança para sua realização.

Na quarta-feira, o Banco Mundial disse que havia interrompido seus empréstimos à Costa do Marfim e anunciou o fechamento de seu escritório em Abidjan.

A França, antigo poder colonial no país, sugeriu que os 15 mil franceses que vivem na Costa do Marfim deixem o país como “precaução”.

Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções contra Gbagbo e seus aliados mais próximos.

A ONU mantém no país uma força de paz com 9 mil homens, chamada Unoci, e seu mandato foi renovado por mais seis meses.

O antigo comandante rebelde Guillaume Soro, nomeado primeiro-ministro por Ouattara, pediu à comunidade internacional que use a força para tirar Gbagbo do cargo.

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