Instalação artística testa reação a consumo de alucinógenos por renas

Instalação Soma, de Carsten Höller (foto: David von Becker / Hamburger Bahnhof)
Image caption Animais são divididos em duas áreas simétricas na exposição em Berlim

Uma instalação de arte em uma estação abandonada de trens em Berlim, na Alemanha, vem testando a reação das pessoas à sugestão do consumo de cogumelos alucinógenos por um grupo de renas.

A urina das renas, supostamente também alucinógena após o consumo dos cogumelos, é misturada à comida de canários, camundongos e moscas, para que eventuais mudanças de comportamentos nessas criaturas também possam ser observadas.

Doze renas, 24 canários, oito camundongos e duas moscas são divididos em dois grupos iguais na exposição, permitindo aos visitantes observar o comportamento dos animais que supostamente ingeriram o alucinógeno e comparar com o comportamento dos outros que não o ingeriram.

O consumo do cogumelo pelas renas é sugerido, mas não confirmado, o que torna a experiência ainda mais intrigante – as eventuais diferenças de comportamento entre os dois grupos possivelmente observadas pelos visitantes são fruto de uma alteração química real ou produto da imaginação dos observadores?

Image caption Por mil euros, visitantes podem dormir em camas dentro da exposição

Para completar a experiência, uma cama de hotel foi montada no meio da instalação, sobre uma base que lembra a forma de um cogumelo, permitindo a duas pessoas pernoitar no local a cada dia, ao custo de mil euros (cerca de R$ 2.230).

O pernoite dá direito a provar a urina das renas, armazenada em refrigeradores localizados nos dois lados da instalação – um para as renas que supostamente consumiram os cogumelos e outro para as que não consumiram.

Os visitantes não sabem qual grupo de renas consumiu os cogumelos – se é que consumiu mesmo -, o que torna a possibilidade de provar a urina para ficar sob o efeito da droga uma espécie de loteria. A pessoa pode acabar simplesmente tomando urina de rena sem efeito nenhum.

Escrituras sagradas

A instalação Soma, que fica no museu Hamburger Bahnhof, em Berlim, até o início de fevereiro, é fruto da imaginação do artista alemão Carsten Höller, de 49 anos, engenheiro agrícola de formação.

Ele se baseou no Rigveda, a primeira das escrituras sagradas do hinduísmo, escrita por volta de 1.500 antes de Cristo, que traz referências a uma bebida chamada Soma e que supostamente daria a imortalidade a quem a provasse.

A substância, ingerida por humanos e também pelos deuses, traria iluminação e acesso à esfera divina, além de sorte, riqueza e vitórias.

Image caption Consumo de cogumelos pelas renas é sugerido, mas não confirmado

Em 1967, o banqueiro e pesquisador amador americano Robert Gordon Wasson publicou um estudo no qual afirmava que a substância à qual o Rigveda trazia referências era o cogumelo alucinógeno Amanita muscaria, consumido pelas renas em seu habitat natural na Sibéria.

Höller partiu desse princípio para testar a relação entre a arte e as drogas e verificar as alterações de percepção promovidas por um e por outro.

O material de promoção da exposição afirma que o artista “desenvolveu um cenário entre laboratório e visão, suposta objetividade e elevada subjetividade” utilizando todo o hall central da antiga estação de trem.

“Diante dos olhos dos observadores se desdobra uma ‘pintura viva’, um campo experimental simétrico, dividido em duas partes por uma linha central e que compara o mundo ordinário com o reino da Soma em uma experiência de imagem dupla”, explica o texto.

“Esta é uma experiência que encontra sua realização na imaginação do observador e cuja avaliação está sujeita ao seu poder de observação”, conclui.

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