Desavenças atrasam reformas na Igreja da Natividade

Bandeira palestina hasteada diante da Igreja da Natividade
Image caption Partes da igreja sagrada estão em aparente estado de abandono

Enquanto milhares de peregrinos cristãos e turistas visitam Belém, na Cisjordânia, onde acredita-se que Jesus tenha nascido, autoridades locais advertem que, se não forem feitas reformas urgentes na secular Igreja da Natividade, será preciso restringir o número de visitantes ao local.

Construída inicialmente no século 4º, a icônica igreja já foi devastada por guerras e por desastres naturais, mas sempre foi reconstruída.

O local onde a maioria dos cristãos crê que nasceu Jesus é controlado e protegido por um tenso acordo entre cristãos ortodoxos gregos, franciscanos e armênios.

Desavenças frequentes entre eles são uma das razões que explicam porque partes da igreja da Natividade estão em aparente estado de abandono.

O teto de madeira e chumbo, que tem 500 anos, é motivo de grande preocupação.

Qustandi Shomalin, da Universidade de Belém, diz que a política religiosa local está impedindo que importantes reformas sejam feitas.

“A água vaza por buracos no teto, afetando não só a estrutura (do local) como afrescos e mosaicos dentro da igreja”, diz.

Desacordo

Como os líderes religiosos não chegam a um acordo quanto a quem deve conduzir e pagar pelas reformas, o governo palestino está sendo forçado a intervir no processo.

Ziad Bandak, assessor para assuntos cristãos do presidente palestino, Mahmoud Abbas, diz que a Autoridade Palestina deu um ultimato aos líderes religiosos.

“Infelizmente, eles não chegaram a um acordo, então estamos fazendo um apelo internacional por doações e planejamos iniciar a restauração em algum momento do novo ano”, disse Bandak.

Disputas históricas à parte, a prefeitura anseia por mais visitantes para que estes tragam mais dinheiro à economia.

Nabil Jackman, um lojista local, admite que o aumento do turismo neste ano tem sido bom para os negócios, mas agrega que o panorama geral ainda é sombrio por causa de restrições práticas ao número de visitantes que vão a Belém ao longo do ano.

Muitos locais se queixam da falta de um acordo de paz entre israeleneses e palestinos.

Israel, inclusive, controla o acesso à cidade sagrada, com postos de checagem e com a ajuda do enorme muro que circunda Belém.

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