Ataques deixam mais de 30 mortos em zona de conflito sectário na Nigéria

Soldado nigeriano em Jos
Image caption Jos fica em região onde disputas sectárias são constantes

Bombas detonadas perto da cidade de Jos, região central da Nigéria, deixaram ao menos 32 mortos e mais de 70 feridos durante as celebrações da véspera de Natal.

Até a tarde deste sábado, nenhum grupo havia reivindicado os ataques, e a polícia aumentou a segurança no local. A região já registrou, no ano, mais de mil mortes relacionadas a conflitos sectários.

Jos está na linha divisória entre o norte nigeriano, de maioria muçulmana, e o sul, de maioria cristã e animista.

São comuns confrontos entre gangues rivais cristãs e muçulmanas, mas analistas afirmam que o pano de fundo dos enfrentamentos é mais político-econômico do que religioso.

Os muçulmanos são em sua maioria das comunidades que falam haussa, têm hábitos nômades e vivem da caça e comércio de pequeno porte.

Os grupos cristãos Berom, Anaguta e Afisare são tradicionalmente fazendeiros.

Alguns se dizem ameaçados por grupos muçulmanos que vão ao sul em busca de pasto para seus animais.

Por sua vez, os falantes de haussa se sentem discriminados por serem classificados como “assentados”, mesmo que tenham vivido na região por gerações, serem proibidos de ocupar cargos no governo e não terem acesso a educação.

Jos, que é capital do Estado de Plateau, acabou sendo dividida entre áreas cristãs e islâmicas.

O noroeste da Nigéria também registrou episódios de violência recentes. Ao menos seis pessoas morreram em ataques a igrejas na cidade de Maiduguri, na sexta-feira. As suspeitas recaem sobre extremistas islâmicos, que supostamente vinham ameaçando a comunidade cristã local.

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