Ataque suicida mata ao menos 40 no noroeste do Paquistão

Homem socorrido após ataque deste sábado (Foto: AP)
Image caption Vítimas estavam em um centro de distribuição de comida

Uma mulher-bomba matou ao menos 40 pessoas ao atacar uma multidão que recebia ajuda humanitária no noroeste do Paquistão, segundo autoridades.

A explosão ocorreu na cidade de Khar, na região de Bajaur, em áreas tribais próximas à fronteira com o Afeganistão – um bastião do Talebã e da Al-Qaeda.

As vítimas eram refugiados que apoiaram ações do Exército contra o Talebã. Estavam recebendo comida em um centro de distribuição. Acredita-se que ao menos outras 50 pessoas tenham ficado feridas no atentado.

A explosão deste sábado, perpetrada por uma mulher vestida de burca que atirou uma granada na multidão, é a mais recente de uma série no noroeste paquistanês.

Nenhum grupo assumiu por enquanto a autoria do ataque no centro de distribuição, usado por agências humanitárias no país.

Militantes revidam

O correspondente da BBC News em Islamabad Aleem Maqbool explica que Bajaur é uma região alvo de inúmeras operações do Exército, que várias vezes declarou que a área estava livre dos militantes.

Mas, novamente, os extremistas provam que podem revidar.

“No final de um ano sangrento no Paquistão, houve ataques a todos os tipos de alvo. Os militantes não se acanharam”, opina Maqbool. “Muitos paquistaneses se perguntam como o governo e os militares vão lidar com a situação no futuro.”

Também neste sábado, o Exército afirmou ter matado 40 militantes na região tribal de Mohmand, onde, na véspera, 35 pessoas tinham morrido quando membros do Talebã atacaram postos de controle. Na mesma região, um ataque suicida deixou ao menos 40 mortos no início deste mês.

O premiê paquistanês, Syed Yusuf Raza Gilani, disse que os extremistas responsáveis pelo ataque deste sábado não tinham respeito pela humanidade ou pela religião e prometeu continuar o combate aos militantes.

O governo paquistanês está sob forte pressão dos Estados Unidos para que lance uma forte ofensiva na região tribal do Waziristão do Norte, onde acredita-se que se escondam extremistas islâmicos.

Islamabad nega as acusações de que não está fazendo o suficiente para conter o extremismo. O país apoiou o regime do Talebã no Afeganistão entre 1996 e 2001, mas se tornou aliado dos EUA após a invasão americana ao país vizinho.

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