TV em Bangladesh é probida de exibir entrevista com executor de pena de morte

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Image caption Ex-presidiário disse que aceitou trabalho de executor para reduzir sua pena de 30 anos

Um canal de TV em Bangladesh foi proibido de continuar exibindo entrevistas com um homem tido como o carrasco mais famoso do país. um ex-presidiário que revelou ter aceitado o cargo para obter uma redução de pena.

As autoridades carcerárias solicitaram que o programa fosse tirado do ar alegando que seu conteúdo poderia assustar os espectadores. Dividido em três partes, apenas uma foi exibida até agora.

Em entrevista à BBC, o carrasco - que executou por enforcamento nove pessoas condenadas à morte e não teve sua identidade divulgada - contou que o programa fala basicamente de seu estilo de vida.

Ele começou a trabalhar como carrasco há sete anos e foi treinado para essa função enquanto cumpria sua sentença de 30 anos por assassinato. Ele foi condenado quando tinha apenas 16 anos.

O homem foi libertado no início de agosto após uma redução de 18 meses em sua pena, que lhe foi concedida justamente por ter trabalhado como executor de penas de morte.

“Apesar de eu não gostar de enforcar ninguém, fiz isso para reduzir minha pena. Para cada enforcamento, eles retiravam 2 meses dos meus 30 anos de prisão.”

Disse ainda que o enforcamento que mais o marcou foi o dos assassinos do primeiro presidente do país, Mujibur Rahman.

Vida atrás das grades

Desde a independência de Bangladesh, em 1971, 411 pessoas foram executadas no país. Todos os executores são prisioneiros ou ex-prisioneiros, que são treinados para a tarefa.

“A ideia do nosso programa não é fazer uma campanha contra nem a favor da pena de morte”, disse o diretor de jornalismo da Banglavision, Mostofa Feroz. “Era apenas uma história sobre a vida de um executor que vive atrás das grades.”

“Não entendo como isso pode violar o código penal. Um homem livre não pode ser proibido de falar com a mídia – isso é contra a liberdade de imprensa.”

Programas da Banglavision são transmitidos em vários países da Europa, Oriente Médio e Estados Unidos.

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