Dilma visitará Argentina e Uruguai primeiro, diz assessor

Antonio Patriota e Celso Amorim
Image caption Neste domingo, Antonio Patriota assumiu o posto de Celso Amorim

A primeira viagem internacional da presidente Dilma Rousseff deverá ser para a Argentina e o Uruguai, em datas ainda não definidas, segundo o assessor de assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

Neste domingo, após a cerimônia de transmissão de cargo para o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, Garcia disse que, depois de ir aos países sul-americanos, Dilma deverá viajar para os Estados Unidos, para a China e para a Bulgária, terra natal de seu pai.

As datas dessas viagens tampouco estão definidas.

Sobre o caso Cesare Battisti (ex-ativista político italiano que teve o pedido de extradição negado pelo governo brasileiro), o assessor da Presidência disse que as relações entre Brasil e Itália podem sofrer "pequenos contrangimentos durante um período brevíssimo".

No entanto, ele afirmou que a presença do embaixador italiano na posse de Dilma indica que existe disposição para o diálogo.

"Ninguém deve se impressionar com posições políticas que estejam surgindo por parte de algumas figuras e alguns partidos. Isso é normal e sabemos lidar com essas situações", disse Garcia, que classificou de "soberana" a decisão brasileira no caso.

Novo chanceler

Em seu primeiro discurso como ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota elogiou o trabalho feito nos últimos oito anos por seu antecessor, Celso Amorim, de quem foi vice-chanceler.

Segundo Patriota, o Brasil se consolidou como um "país sul-americano convicto" e um ator com "autoridade natural" para se engajar nos debates de política externa.

O chanceler disse esperar que grupos como o G20 sejam "sensíveis aos anseios e interesses dos mais de 150 países que não sentam em suas reuniões".

Patriota deu ainda importância aos blocos sul-americanos do Mercosul e da Unasul, enfatizando a relação Brasil-Argentina, que, segundo ele, está na "plenitude". Em sua fala de despedida, o ex-chanceler Celso Amorim disse que saía com a sensação de "dever cumprido" por ter praticado uma política externa "altiva e ativa".

Segundo ele, a postura diplomática recente do Brasil atraiu a simpatia de "gente simples que talvez nem pensasse em relações exteriores" antes desse período.

Amorim se referiu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o mentor da política externa brasileira dos últimos anos, citando a maior proximidade do Brasil com países da América do Sul e da África.

O ex-chanceler afirmou que ele e Lula estabeleceram uma relação próxima à "telepatia" quanto à tomada de decisões.

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