Palocci nega papel de articulador e diz ser 'mais um do time'

Antonio Palocci
Image caption Ministro da Casa Civil disse que não dará entrevistas com frequência

O ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, afirmou neste domingo, durante cerimônia de transmissão do cargo, que a sua pasta não é um "ministério autônomo" e negou que vá exercer funções de articulação política em nome do governo de Dilma Rousseff.

"A Casa Civil não é um ministério autônomo, de ideias e projetos próprios. É um órgao da Presidência, dedicado a servir às suas determinações e auxiliar no preparo de suas altas decisões", disse o ministro em discurso. "Sei que (a interpretação de que ele seria um articulador) decorre de minha atuação na montagem do Ministério da presidenta Dilma", disse Palocci. "Todas as iniciativas que tomei nesse campo ocorreram por exclusiva determinação da presidenta, que foram e serão limitados aos trabalhos de construção do governo." Segundo o ministro, a coordenação dos trabalhos políticos do governo ficará exclusivamente a cargo da Secretaria de Relações Institucionais, sob o comando de Luiz Sérgio de Oliveira. Palocci disse que os seus colegas ministros podem esperar todo o apoio da Casa Civil. "Tenham-me como um de vocês, um da equipe, um do time", afirmou. Para Palocci, a Casa Civil não deve expressar opiniões e vontades próprias no dia-a-dia. Dirigindo-se aos órgãos de imprensa, ele afirmou que não pretende dar entrevistas frequentemente. Articulação Depois do evento, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, afirmou que é natural que Palocci, devido a seu perfil, faça algum tipo de articulação com os partidos e com o Congresso. "Todos os ministros que têm essa capacidade de trânsito no Congresso vão fazê-lo", disse Dutra à BBC Brasil. "Ele (Palocci) só quis dizer que não é essa a sua função principal." Para o presidente do PT, é bom ter um ministro da Casa Civil com capacidade de diálogo com os partidos e com o Congresso. "O Luis Sérgio vai ter a tarefa específica de conduzir essa articulação política, e o PT se sente bem representado pelos dois." Na opinião de Dutra, nos últimos anos, a Casa Civil assumiu um "protagonismo" sem razão de ser. "Não faz sentido ter um ministro que se destaque tanto dos outros. Quem tem que ter destaque é a presidente", afirmou. Palocci foi ministro da Fazenda no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas se afastou do cargo em 2006, em meio à suspeita de que ordenara a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. O petista foi inocentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Eleito deputado federal em 2006, tornou-se um dos principais articuladores da campanha de Dilma, em 2010.

A cerimônia na Casa Civil contou com a presença de ministros, parlamentares, políticos de diferentes partidos, governadores e empresários.

O último ocupante do cargo foi Carlos Eduardo Esteves Lima, substituto de Erenice Guerra, que se afastou depois de denúncias de tráfico de influência envolvendo familiares.

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