Decisão sobre Battisti não altera relação entre Itália e Brasil, diz Berlusconi

Cesare Battisti
Image caption Extradição de Battisti foi negada por Lula na semana passada

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou nesta terça-feira que a decisão do governo brasileiro de não extraditar o ex-ativista político Cesare Battisti, condenado por assassinatos na Itália, não vão mudar as relações entre os dois países.

“O Brasil é um país ao qual somos ligados por uma antiga e sólida amizade”, disse Berlusconi. “Este caso não tem a ver com as relações bilaterais. É um caso de Justiça, e nós lutaremos por ela. As relações não mudarão por causa desta situação”, continuou ele.

As afirmações foram feitas ao final de um encontro de Berlusconi com Alberto Torregiani, filho de uma das vítimas dos crimes atribuídos a Cesare Battisti, no aeroporto militar de Milão.

Torregiani vive numa cadeira de rodas desde que foi atingido por uma bala perdida durante o tiroteio entre o pai, o joalheiro Pier Luigi Torregiani, e os membros do grupo Proletários Armados pelo Comunismo, o PAC, ao qual pertencia Battisti.

Carta

Alberto Torregiani é um dirigente do Movimento pela Itália, entidade política ligada ao Partido Liberal, de Silvio Berlusconi.

Ele foi um dos autores da carta pública divulgada no fim de semana na qual pedia transparência absoluta no caso e cobrava do governo italiano informações sobre as medidas a serem adotadas para reverter o veredicto final do caso Battisti.

“A história de Alberto Torregiani me comoveu muito. E ele me disse que gostaria de jogar futebol no Milan, que jogava bem e que gostaria de ir para o meu Milan”, afirmou o primeiro-ministro, proprietário do clube.

Ele anunciou ainda que no fim do mês de janeiro vai ser organizada em Bruxelas, onde fica a sede da União Europeia, uma coletiva de imprensa sobre o caso Battisti. “Eu convidei o senhor Torregiani para participar e conhecer a realidade dos fatos para chegar até a corte de Justiça de Haia”, disse Berlusconi.

Ânimos serenados

As declarações do primeiro-ministro serviram para serenar os ânimos de quem, no próprio governo, defende ações de retaliação contra o Brasil, como por exemplo o boicote e a revisão de acordos comerciais.

O principal objetivo foi o de preservar um acordo de 5 bilhões de euros assinado recentemente pelos dois governos. Neste mês de janeiro, o Parlamento italiano deverá ratificar o acordo que prevê, entre outros itens, o fornecimento de naves, mísseis e radares ao Brasil.

A revisão do acordo chegou a ser sugerida pelo ministro da Defesa italiano, Ignazio La Russa, que deverá aceitar a orientação do primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

Além desse acordo, estariam em risco outros em que são previstos financiamentos italianos para projetos no Brasil – até mesmo os em nível municipal, como entre as cidades de Modena e Londrina (PR).

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