Alimentos atingem preço recorde, diz ONU

Incêndio em campo de trigo na Rússia, em 2009
Image caption Incêndios na Rússia em 2009 afetaram exportações de trigo

Os preços globais de alimentos tiveram alta recorde em dezembro, segundo a agência da ONU para a agricultura e a segurança alimentar (FAO).

O Índice de Preço de Alimentos da organização ultrapassou o recorde anterior de 2008, quando os custos elevados provocaram protestos em vários países.

Desta vez, segundo um relatório da agência, a alta foi puxada pelos preços do açúcar, de cereais e óleos.

O índice, que mede variações mensais de uma cesta composta por laticínios, carne, açúcar, cereais e sementes oleaginosas, chegou a 214,7 pontos no mês passado, 8,7 pontos acima do valor de novembro.

Em junho de 2008, no recorde anterior, ele atingira 213,5 pontos.

Apesar da alta nos preços, o economista da FAO Abdolreza Abbassian diz que muitos dos fatores que causaram protestos em 2007 e em 2008 – como a fraca produção agrícola em países pobres – não estão atualmente presentes, reduzindo o risco de turbulência.

Mas o economista acrescentou que o “clima imprevisível” significava que os preços de grãos poderiam subir muito mais, o que seria “preocupante”, segundo ele.

Cheias na Austrália

No ano passado, uma seca forçou a Rússia a suspender exportações de trigo.

Já as cheias recentes em Queensland, na Austrália, estão começando a afetar preços de produtos exportados para mercados asiáticos, como Índia, Bangladesh e Japão.

A Austrália reduziu sua previsão de exportações de açúcar em 25%. Plantações de trigo também foram afetadas.

A notícia da alta nos preços de alimentos ocorre em meio a preocupações quanto à elevação nos preços de outras commodities.

Também nesta quarta-feira, a Agência Internacional de Energia (AIE) disse que os preços elevados do petróleo ameaçariam a recuperação econômica em 2011.

Os custos para a importação de petróleo em países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) aumentaram 30% no último ano, chegando a US$ 790 bilhões, segundo a AIE.

Os preços do cobre, por sua vez, iniciaram o ano em alta recorde, movidos pela crescente demanda e pelo fato de que a maioria dos países têm mantido poucos estoques do metal.

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