Brasileiros lideram pesquisa de consumo de celulares e TVs HD

Image caption Tablets estão entre os itens 'quentes' de 2011, segundo a pesquisa

Consumidores brasileiros lideraram as compras de telefones celulares, TVs de alta definição, câmeras digitais e netbooks em um estudo da consultoria Accenture.

A empresa ouviu 8 mil consumidores em oito dos principais países emergentes e industrializados em 2010.

A pesquisa anual sobre produtos e serviços eletrônicos, que destaca o surgimento de "um novo paradigma de consumidores de tecnologia", chama atenção para a sede dos países emergentes por produtos eletrônicos, comparados aos mercados mais estáveis dos países ricos.

"Com economias mais estáveis e riqueza crescente entre a classe média desses países, o apetite dos consumidores por tecnologia, especialmente móvel, é insaciável (nesses países)", diz o estudo.

Em contraste, nos países industrializados não apenas os mercados são mais maduros, como o efeito da crise econômica é sentido mais fortemente, o que reduz a disposição para gastos neste segmento.

A consultoria ouviu consumidores nos Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Brasil, Rússia, Índia e China. Segundo relatório da Accenture, os grupos de entrevistados no Brasil, na Índia, China e Rússia são representativos das populações urbanas e semiurbanas desses países.

Cerca de 55% dos brasileiros ouvidos disseram ter comprado um telefone celular no ano passado. A Índia vem em segundo lugar com cerca de 50% dos entrevistados respondendo positivamente, deixando o grupo da Rússia em terceiro com apenas 40%. Os entrevistados americanos aparecem apenas em 6º lugar na lista, com cerca de 20% dizendo ter adquirido um telefone celular em 2010.

Quase 30% dos entrevistados brasileiros afirmaram ter adquirido uma TV de alta definição – mesma proporção de consumidores que compraram uma câmera digital. Os percentuais verificados na China são 28 (TVs HD) e 22 (câmera digital). O Japão ocupa a quarta e última posição, respectivamente.

Os brasileiros já são os que mais detêm telefones celulares, aparelhos de DVD, TVs normais e netbooks, de acordo com a pesquisa.

O computador e o laptop foram considerados pelos pesquisadores como "os gigantes silenciosos" entre os produtos eletrônicos. "Todo mundo tem um", escreveram os autores do estudo.

Cerca de 93% dos entrevistados em todos os países disseram possuir um computador. No Brasil, 35% dos entrevistados disseram ter comprado um PC no ano passado, proporção semelhante a da Índia, mas pouco atrás da China.

Os chineses lideraram disparado as compras de Smartphone (quase 40% compraram um aparelho no ano passado, comparado com menos de 20% dos brasileiros).

<b>Queimando etapas</b>

Image caption Smartphones e outros gagdets podem deixar para trás os computadores

O estudo sugeriu que os mercados emergentes estão queimando etapas na aquisição de produtos eletrônicos, em comparação com a trajetória percorrida pelos mercados mais saturados dos países industrializados.

"Contrariando as percepções equivocadas mais comuns, um grande segmento de consumidores nos Bric está mais interessado nas tecnologias mais novas e inovadoras que em tecnologias mais baratas com menos funcionalidades", observou a pesquisa.

"As tendências indicam que algumas das novas tecnologias podem estar tornando outras obsoletas mais rapidamente."

Um exemplo é o computador, cujas taxas de crescimento nas vendas tendem a cair nos próximos anos, ao passo que a demanda por tablet PCs deve crescer 160%.

O estudo chega a questionar se, no futuro, um novo grupo de poucas e seletas tecnologias – computadores tablet, netbook, smartphone e leitores e-books – será capaz de deixar para trás o computador e outros equipamentos eletrônicos.

Para o ano de 2011, de acordo com a pesquisa, os produtos que lideram a preferência dos consumidores incluem as TVs de alta definição, computadores e smartphones.

Entretanto, o estudo percebe uma diferença "marcante" entre os mercados emergentes e industrializados. Enquanto 40% dos respondentes da pesquisa nos países ricos disseram não ter intenção de comprar eletrônicos em 2011, nos países Bric esse índice foi de apenas 9%.

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