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Petróleo pode gerar nova guerra entre sul e norte do Sudão, diz relatório

Manifestações em Juba, capital do sul do Sudão (Reuters)

Referendo sobre divisão do país ocorrerá neste domingo

Um relatório da organização Global Witness afirma que o Sudão precisa de mais transparência na divisão dos lucros da produção de petróleo para manter a paz na região.

O documento diz que as suspeitas sobre como esses lucros são divididos aumentaram muito a desconfiança entre as regiões norte e sul do país. A maioria do petróleo vem de poços no sul do Sudão, mas a infraestrutura está no norte.

Atualmente, o acordo para a divisão do dinheiro arrecadado com o petróleo determina que cada região fica com cerca da metade dos lucros.

Mas, o relatório da Global Witness opina que o norte e sul precisam de um novo acordo, mais transparente, para substituir o existente, que deve expirar no final de janeiro.

"Existe muita desconfiança se o atual sistema de distribuição da renda foi implementado de forma justa", afirma o relatório.

"A desconfiança sobre a divisão do dinheiro foi uma das razões primárias para a retirada temporária da região sul do acordo de divisão de poder. As provas sugerem que essa preocupação não é infundada", acrescenta o documento.

Discrepâncias

O relatório da Global Witness afirma ainda que o governo sudanês e a China National Petroleum Corporation, a maior companhia que opera na região, não justificaram as discrepâncias nos índices de produção apresentados.

"Nas atuais circunstâncias, os cidadãos sudaneses não podem ter certeza da quantidade de petróleo que seu país produz e, portanto, não podem saber se o acordo para a divisão das riquezas geradas pelo petróleo está sendo implementado de uma forma justa."

"É crucial que essas questões sejam tratadas. Um novo acordo para o petróleo entre o norte e o sul é essencial para evitar uma volta à guerra", afirma o documento.

Referendo

A divulgação do documento ocorre dias antes do referendo de domingo, que vai decidir a respeito da independência da região sul do Sudão.

O referendo deve durar a semana toda e é parte do acordo de paz de 2005, que encerrou duas décadas de guerra civil entre o norte e o sul do país.

Segundo os termos do acordo, o partido governista do sul do Sudão, SPLM, e o partido governista do norte, NCP, concordavam em buscar a unidade.

Os últimos comícios antes do referendo que vai decidir a respeito da independência da região sul do Sudão ocorreram nesta sexta-feira na capital da região, Juba.

De acordo com o correspondente da BBC em Juba, Peter Martell, existe um clima de carnaval na cidade, com centenas de pessoas participando do que foi chamado de "a caminhada final para a liberdade".

Mais de 95% dos eleitores registrados estão no sul do Sudão; o resto dos eleitores são sudaneses do sul vivendo no norte do país ou em outros países.

O norte é habitado pela maioria da população muçulmana sunita, enquanto os cristãos se concentram no sul e na capital Cartum.

Em dezembro, o partido governista do sul do Sudão, o SPLM, apoiou publicamente, pela primeira vez, a independência para a região.

Existem indicações de que os sudaneses vão votar a favor da separação do país. O governo do país também teme que, caso o sul realmente declare independência, o Sudão possa se desintegrar.

Sudão, um país dividido

As grandes diferenças que dividem o Sudão são visíveis até do espaço, como mostra essa imagem de satélite da Nasa. Os Estados do Norte são uma área desértica, interrompida apenas pelo fértil vale do Nilo. O Sul do Sudão é coberto por vastas áreas verdes, pântanos e florestas tropicais.

O Sudão exporta bilhões de dólares em petróleo por ano. Os Estados do sul produzem mais de 80% do total, mas recebem apenas 50% das divisas, o que exacerba as tensões com o norte. A região fronteiriça de Abyei, rica em petróleo, realizará um referendo sobre se deve juntar-se ao norte ou ao sul.

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