Governo espanhol minimiza cessar-fogo do ETA e cobra fim da violência

O ministro Alfredo Pérez Rubalcaba, durante entrevista
Image caption Rubalcaba cobrou do ETA o fim definitivo da violência

O ministro do Interior da Espanha, Alfredo Pérez Rubalcaba, minimizou nesta segunda-feira o anúncio do grupo separatista basco ETA de que está adotando um cessar-fogo “permanente e verificável”, indicando que a oferta, embora não seja “uma má notícia”, é insuficiente.

Em uma coletiva, Rubalcaba disse que, apesar conter uma proposta de diálogo, o comunicado não afirma que o grupo está abandonando de forma irreversível e definitiva a luta armada, uma exigência do governo espanhol.

"Se me perguntam se hoje estou mais tranquilo do que ontem, responderei que sim. Se me perguntam se isso é o final do ETA, diria que não. E se me perguntam se isso é o que a sociedade basca espera, direi claramente que não", afirmou.

Para Rubalcaba, o grupo separatista ainda tenta controlar a situação política do País Basco e pensa que pode dar a última palavra sobre a soberania da região.

"O ETA tem uma visão distorcida da realidade. Agora se manifesta com a mesma arrogância, a mesma linguagem e a mesma encenação de sempre", disse.

"(O grupo) quer manter a posição de tutela de uma suposta negociação e continua desejando que o fim da violência tenha preço."

Leia mais na BBC Brasil sobre o anúncio do ETA

Cessar-fogo verificável

O governo da Espanha também rejeitou a oferta da organização armada de permitir uma avaliação de instituições internacionais em relação à trégua.

O ministro Rubalcaba advertiu que, num suposto processo de verificação, não aceitaria intervenções estrangeiras.

"Num Estado de Direito, quem verifica são as Forças de Segurança do Estado."

Durante a entrevista, o ministro permitiu pouco tempo para as perguntas da imprensa e deixou claro que o governo espanhol não apenas dá pouco valor ao comunicado de cessar-fogo do ETA, mas também rejeita a possibilidade de diálogo com o grupo armado basco.

Rubalcaba mandou ainda um recado para os membros do ETA e de seu braço político, o partido não legalizado Batasuna – que está tentando obter autorização para participar de eleições regionais do País Basco.

"(O partido) não legalizado Batasuna tem duas opções para voltar à vida política: ou ETA deixa a violência de forma irreversível e definitiva ou Batasuna rejeita abertamente sua relação com ETA. Nada disso aconteceu", afirmou.

Como Rubalcaba, o ex–primeiro-ministro socialista, Felipe González, que em sua etapa de governo negociou com ETA, também classificou o comunicado do ETA como insuficiente.

González afirmou que "não queremos trégua. O que queremos é que entreguem as armas."

Partidos de oposição na Espanha reagiram da mesma maneira. A deputada do Partido Popular Consuelo Ordoñez, irmã de um vereador conservador assassinado pelo ETA, chamou o comunicado de "brincadeira sem graça".

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