Pressionado, líder da Tunísia dissolve governo e convoca eleições

Protesto em Túnis (AP)
Image caption Manifestantes cercaram prédio do Ministério do Interior

O presidente da Tunísia, Zine Al-Adidine Ben Ali, dissolveu nesta sexta-feira o governo e convocou eleições legislativas antecipadas, em meio a um protesto que reuniu milhares de pessoas no centro da capital, Túnis, para a exigir a renúncia do líder.

A decisão foi tomada um dia depois de Ben Ali ter anunciado uma série de medidas para acalmar os manifestantes, que desde o mês passado têm se mobilizado contra o governo.

Mais de 60 pessoas já teriam morrido nos protestos, reprimidos pela polícia.

De acordo com a televisão estatal tunisiana, as eleições antecipadas deverão ocorrer no país dentro de seis meses.

Na quinta-feira, Ben Ali, que governa o país do norte da África desde 1987, disse que deixaria o poder em 2014 e ordenou que as Forças de Segurança não usem munição real para conter os protestos.

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Multidão

Entre 6 mil e 7 mil pessoas se reuniram em frente ao prédio do Ministério do Interior nesta sexta-feira, nos maiores protestos registrados na Tunísia em 23 anos, desde que Ben Ali assumiu a presidência.

Segundo o correspondente da BBC em Túnis Adam Mynott, os manifestantes, que sustentam que o país não será verdadeiramente democrático enquanto Ben Ali permanecer no poder, foram cercados pelas forças de segurança.

A polícia teria disparado bombas de gás lacrimogêneo contra a multidão, mas não relatos de vítimas.

O chefe do opositor Fórum Democrático para o Trabalho e Liberdades, Mustapha Ben Jaafar, afirmou que o discurso do presidente da quinta-feira "abre possibilidades".

Por outro lado, o ativista defensor dos direitos humanos Mohamed Abbou afirmou que acredita que o presidente Ben Ali está "enganando os tunisianos com promessas que não tem futuro".

Mortos

A onda de manifestações começou em dezembro após um jovem ter ateado fogo em si mesmo em protesto após ter sido impedido pela polícia de vender vegetais por não ter uma licença.

Os protestos inicialmente eram contra o desemprego e o alto preço dos alimentos, mas depois passaram a representar a insatisfação da população com o presidente e com a elite, a quem acusam de ser corrupta.

A França, antiga potência colonial da Tunísia, criticou o "uso desproporcional de violência" e pediu calma para ambos os lados.

Ben Ali é o segundo presidente do país desde que este conquistou a independência, em 1956. Ele chegou ao poder em 1987 e foi reeleito para outro mandato de cinco anos em 2009 com quase 90% dos votos.

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