Sudão conclui referendo sobre emancipação do sul

Cédula de votação no Sudão
Image caption Votação ocorreu de forma organizada, diz Carter

O ex-presidente americano Jimmy Carter confirmou neste sábado que, após uma semana de votação, foi concluído “com sucesso” o referendo sobre a emancipação do sul do Sudão do resto do país.

A contagem de votos está em andamento.

Carter, que é líder de uma missão internacional de observação do referendo, disse que a votação ocorreu de forma organizada e estimou em cerca de 90% o comparecimento dos eleitores sul-sudaneses registrados. Entre os eleitores que votaram no norte, o comparecimento foi estimado em 50%.

O presidente da comissão do referendo, Mohammad Ibrahim Khalil, chamou o processo de “uma grande conquista”.

Os resultados preliminares devem ser anunciados em 31 de janeiro. A expectativa é de que a região confirme a separação do norte, criando o mais novo país – e um dos mais miseráveis – do mundo.

Diferenças entre norte e sul

O referendo durou uma semana e é parte do acordo de paz de 2005, que encerrou duas décadas de guerra civil entre o norte e o sul do país.

Mais de 95% dos eleitores registrados estão no sul do Sudão; o resto dos eleitores são sudaneses do sul vivendo no norte do país ou em outros países.

Os líderes do norte do país, de maioria muçulmana, prometeram respeitar o resultado do referendo, que pode criar um país de maioria cristã ou de religiões tradicionais.

No entanto, há temores de que a eventual emancipação no sul sirva de estopim para novos confrontos.

Neste sábado, segundo o jornal sudanês Al-Ra’y al-Amm, defensores de que o Sudão permaneça unido preparavam uma manifestação.

Confrontos

Na sexta-feira, a assinatura de um acordo de trégua tentou dar fim a choques étnicos na região de Abyei, que fica na fronteira entre os territórios norte e sul do Sudão.

Os confrontos, aparentemente relacionados à posse de gado, deixaram cerca de 30 mortos.

Acredita-se que destino da região, que é rica em petróleo, dependerá do resultado do referendo. Grupos rivais discordam quanto a se a área deve juntar-se ao norte ou ao sul do país, caso este se torne independente.

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