Ex-premiê anuncia criação de novo partido em Israel

Barak e Netanyahu
Image caption Ehud Barak teria informado Netanyahu antes sobre sua decisão

O ex-premiê e atual ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, anunciou nesta segunda-feira sua saída do Partido Trabalhista para formar sua própria agremiação política.

A decisão de Barak foi anunciada quando o Partido Trabalhista se prepara para decidir, no mês que vem, se deixa a coalizão governista liderada pelo partido Likud, do premiê Binyamin Netanyahu.

Setores do Partido Trabalhista criticam a maneira como Netanyahu vem administrando as negociações de paz com os palestinos.

O processo de paz foi interrompido no ano passado após a recusa do governo israelense de prorrogar o congelamento das construções em colônias em territórios ocupados da Cisjordânia.

Governo fortalecido

Para analistas, a decisão de Barak deve fortalecer o governo, já que permitirá que o ministro da Defesa permaneça no governo independentemente da decisão do Partido Trabalhista.

Barak anunciou que criará um partido chamado Independência e que terá o apoio de outros quatro deputados trabalhistas, incluindo o ministro da Agricultura, Shalom Simchon, e o vice-ministro da Defesa, Matan Vilnai.

“Apresentamos um pedido ao Knesset (o Parlamento israelense) para que nos reconheça como uma nova facção, que será chamada Independência”, afirmou Barak em uma entrevista coletiva transmitida ao vivo pelas rádios e TVs israelenses.

“(O novo partido) será centrista, sionista e democrático”, afirmou o ex-premiê, que governou o país entre 1999 e 2001.

Tensões internas

O Partido Trabalhista vem sofrendo com tensões internas há vários meses, com o descontentamento de setores à esquerda no partido com o papel da agremiação na coalizão com o Likud.

Com as negociações de paz com os palestinos suspensas há mais de três meses, alguns membros do Partido Trabalhista defendem a saída da coalizão. Na semana passada, o deputado Daniel Ben-Simon deixou o partido em protesto pelo andamento do processo de paz.

Mesmo que o Partido Trabalhista decida deixar a coalizão governista, Netanyahu deve se manter à frente do governo, ainda que com uma maioria mais apertada no Knesset (parlamento israelense).

Segundo a rádio do Exército de Israel, o premiê sabia com antecipação da iniciativa de Barak e havia prometido manter os membros do novo partido em seus postos ministeriais.

Domínio

O Partido Trabalhista teve papel central na criação de Israel, em 1948, e dominou a política local por um longo período, mas nas eleições de 2009 terminou em quarto lugar, atrás do opositor partido Kadima, do Likud e do ultranacionalista Yisrael Beitenu, do ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman.

Os trabalhistas são atualmente um membro importante da coalizão governista, com 13 deputados antes do racha desta segunda-feira.

A coalizão que apoia Netanyahu conta hoje com 74 dos 120 deputados do Knesset.

Segundo os analistas, os oito deputados que permanecerão no Partido Trabalhista, com posições mais favoráveis ao diálogo de paz com os palestinos, devem abandonar o governo, deixando o premiê com o apoio de 66 dos 120 membros do Knesset.

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