Tunísia anuncia formação de governo de unidade nacional

Mohamed Ghannouchi
Image caption Premiê anunciou governo interino de unidade nacional

O primeiro-ministro da Tunísia, Mohammed Ghannouchi, anunciou nesta segunda-feira a formação de um governo interino de unidade nacional, dias depois de uma revolta popular ter forçado a renúncia do presidente Zine Al-Abidine Ben Ali.

O governo será liderado pelo próprio premiê, que deve preparar o país norte-africano para novas eleições.

A oposição deve ficar com os Ministérios de Educação Superior, Desenvolvimento Regional e Saúde. Apesar dos protestos contra o governo de Ben Ali, seis dos seus ministros permanecerão nos seus cargos – inclusive os das pastas de Finanças, Relações Exteriores e Interior.

O premiê também anunciou que o ministério da Informação seria abolido e que todos os prisioneiros políticos seriam libertados.

Ben Ali renunciou na sexta-feira, em meio a uma onda de protestos contra o governo que vinham ocorrendo desde dezembro. O chefe do Parlamento, Foued Mebazzaa, foi oficializado como presidente interino no sábado.

Correspondentes dizem que não está claro se a inclusão de políticos que já ocupavam posições de destaque será aceita pelos manifestantes.

Violência

O anúncio ocorreu horas depois de novos episódios de violência, entre soldados do Exército e milícias leais a Ben Ali, terem sido reportados na capital, Túnis.

Image caption A capital do país vivem momentos de violência na segunda-feira

Segundo Wyre Davies, correspondente da BBC na cidade, foram ouvidos intensos tiroteios durante a noite.

Moradores relataram confrontos nos arredores do palácio presidencial, ao norte de Túnis. Também foram verificados tiroteios em frente ao Ministério do Interior e à residência presidencial.

Os confrontos se intensificaram no domingo depois da prisão do ex-chefe da segurança do presidente, Ali Seriati, acusado de estimular a violência no país.

Soldados em tanques estão patrulhando a capital tunisiana e outras cidades para tentar restaurar a ordem. O estado de emergência continua em vigor e começaram faltar produtos básicos nas lojas e em postos de combustíveis.

Leia mais: Exército e milícias leais a ex-presidente entram em confronto na Tunísia

Crise

Segundo a atual Constituição tunisiana, a nova eleição presidencial deve acontecer dentro de 60 dias.

Os protestos começaram no último mês motivados pela insatisfação com o alto desemprego, o aumento no preço dos alimentos e a corrupção.

Dezenas foram mortos em choques entre manifestantes e a polícia.

Ben Ali, que foi presidente da Tunísia por 23 anos, viajou na sexta-feira para a Arábia Saudita, depois de renunciar ao cargo.

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