Promotor indicia Baby Doc por corrupção e enriquecimento ilícito

Jean-Claude Duvalier/AP
Image caption Duvalier governou o Haiti entre as décadas de 1970 e 1980

Um promotor do Haiti indiciou nesta terça-feira o ex-presidente haitiano Jean-Claude Duvalier por corrupção, enriquecimento ilícito e outros crimes durante o seu governo (1971-1986).

As acusações contra Duvalier, conhecido como Baby Doc, serão analisadas por um juiz, que decidirá se um processo será aberto para apurá-las.

Nesta terça, Duvalier deixou na companhia de policiais o hotel em que estava hospedado na capital do país, Porto Príncipe, dois dias após seu retorno ao país após 25 anos de exílio.

Na saída do hotel, Duvalier, que não foi algemado, acenou para simpatizantes. De lá, ele partiu para uma corte, onde foi interrogado.

Autoridades do país haviam dito anteriormente que iriam interrogá-lo para determinar a possível abertura de um processo contra ele pelo desvio de milhões de dólares em dinheiro público.

Grupos de defesa de direitos humanos querem que Duvalier seja processado por acusações de tortura e supostos assassinatos de milhares de pessoas durante seu governo.

Governo

Duvalier assumiu o poder no Haiti aos 19 anos de idade, após a morte de seu pais, François Duvalier, líder conhecido como "Papa Doc" que governou o país entre 1957 e 1971.

Baby Doc é considerado responsável pela saída de mais de 100 mil pessoas do país durante seus 15 anos no poder, quando se declarava “presidente vitalício”.

A milícia que o protegia, os Tontons Macoutes, é acusada de inúmeras violações dos direitos humanos.

Ele foi deposto por um levante popular em 1986 e, durante entrevista de rádio em 2007, pediu perdão ao povo haitiano por “erros” cometidos durante seu governo.

Eleições

O retorno aconteceu no dia exato em que deveria ocorrer o segundo turno das eleições presidenciais no Haiti, mas a votação foi adiada por causa de uma disputa em torno dos nomes que deveriam constar na cédula eleitoral.

O candidato governista, Jude Celestin, e o cantor Michel Martelly querem participar do segundo turno com a ex-primeira-dama Mirlande Manigat, considerada vencedora do primeiro turno, em 28 de novembro, em uma votação criticada devido a relatos de fraude, violência e intimidação de eleitores.

Resultados provisórios anunciados em dezembro pelo conselho eleitoral apontavam Celestin como o segundo colocado, com pequena vantagem sobre Martelly.

Mas os resultados provocaram protestos violentos por parte de partidários de Martelly, que alegou ter perdido o segundo lugar por causa de fraudes.

Há quem veja o retorno de Baby Doc ao Haiti como uma tentativa de eleger Martelly, mas o ex-presidente ainda não expôs oficialmente quem seria seu preferido na corrida eleitoral.

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