Hariri afirma que será candidato a primeiro-ministro do Líbano

Saad Hariri
Image caption Governo liderado por Hariri entrou em colapso com renúncia de 11 ministros

O premiê interino do Líbano, Saad Hariri, reiterou nesta quinta-feira que apresentará candidatura para se manter no cargo, apesar de restrições da oposição e da tensão crescente no país.

Em um discurso transmitido pela TV em rede nacional, Hariri disse que seu nome será entregue ao presidente libanês, Michel Suleiman, que fará as consultas parlamentares para a formação de um novo governo, na segunda-feira.

“Nós iremos para as consultas parlamentares com o presidente e vamos decidir de acordo com as normas. E apresentaremos minha candidatura ao posto de premiê”, disse Hariri.

O governo libanês entrou em colapso na semana passada após a renúncia de 11 ministros, dez deles da oposição liderada pelo grupo político e militar xiita Hezbollah.

Investigação da ONU

A crise política recente foi desencadeada por uma investigação do Tribunal Especial para o Líbano, corte da ONU que deve acusar membros do Hezbollah de envolvimento no assassinato do ex-premiê libanês Rafik Hariri, em 2005.

Rafik Hariri, pai do atual premiê interino, e outras 22 pessoas morreram numa explosão no centro de Beirute.

O Hezbollah nega a autoria do ataque e acusa o tribunal da ONU de servir aos interesses dos Estados Unidos e de Israel.

O grupo vinha exigindo que o governo de Hariri parasse de cooperar com a corte e deixasse de financiá-la.

Em seu discurso, porém, o premiê interino disse que estava comprometido em “seguir o caminho da verdade e justiça”, referindo-se à investigação em curso no tribunal.

“Eu fiz um juramento diante de Deus de que não abandonarei a causa do mártir Rafik Hariri.”

‘Situação perigosa’

Nesta semana, a Arábia Saudita abandonou os esforços para mediar a crise libanesa. Ao longo dos últimos meses, o país vinha tentando, ao lado da Síria, encontrar uma solução para o impasse político no Líbano.

Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro do Qatar, o xeique Hamad bin Jasim al-Thani, e o ministro de Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, também anunciaram que estavam retornando aos seus países após dois dias de negociações frustradas com os grupos rivais libaneses.

Os dois países alertaram que a situação no Líbano estava ficando “cada vez mais perigosa”.

No discurso, Saad Hariri sugeriu que a mediação não surtiu efeitos devido a manobras do bloco oposicionista. “Mais uma vez a solução foi deliberadamente impedida.”