Em meio a mais protestos, gabinete interino da Tunísia tem 1ª reunião

Reunião do gabinete de governo interino em Túnis (AFP)
Image caption Reunião de gabinete de governo tinha sido adiada

Em meio a mais protestos, os ministros do novo gabinete de governo da Tunísia se encontraram nesta quinta-feira para a sua primeira reunião, quase uma semana após a renúncia do presidente Zine Al-Abidine Ben Ali.

A reunião tinha sido adiada em meio aos pedidos da oposição de que não fossem destinados cargos importantes no governo interino a integrantes do partido de Ben Ali, o RCD.

A oposição tunisiana se recusou a participar do novo governo, pois insiste no rompimento total com o velho regime. Quatro ministros que eram da oposição renunciaram aos cargos.

Também nesta quinta-feira, a televisão estatal da Tunísia relatou que o RCD dissolveu seu comitê central depois que integrantes que foram nomeados ministros do governo interino deixaram a agremiação.

"Estou renunciando (à minha associação com o partido RCD) pelos interesses do país nesta situação delicada, para tentar tirar o país da crise e garantir uma transição democrática", disse Zouheir M'Dhaffar, ministro de Estado no gabinete do primeiro-ministro, segundo a agência de notícias oficial da Tunísia, a TAP.

O primeiro-ministro, Mohammed Ghannouchi, e o presidente interino, Fouad Mebazaa, também saíram do RCD, numa tentativa de se distanciar de Ben Ali.

Protestos

Nesta quinta-feira, soldados tunisianos dispararam tiros de advertência contra manifestantes que se reuniram em frente à sede do RCD na capital, Tunis.

Também ocorreram protestos fora da capital, nas cidades de Gafsa e El Kef. Foram os primeiros protestos fora de Túnis desde a fuga de Ben Ali e de sua família para a Arábia Saudita, na semana passada.

Em outro desdobramento, juízes fizeram uma manifestação em Túnis pedindo a renúncia de todos os outros magistrados que trabalharam para Ben Ali.

O país vive desde dezembro uma onda de protestos, muitos deles reprimidos violentamente. Estes protestos culminaram na saída de Ben Ali do governo.

Em um discurso transmitido pela televisão tunisiana, Mebazaa prometeu o rompimento total com o passado político.

Ele elogiou a "revolução de dignidade e liberdade", afirmando que a prioridade do governo será a anistia para prisioneiros políticos. Mebazaa também prometeu liberdade de imprensa e um Judiciário independente.

O país ainda está em estado de emergência e o Exército ainda ocupa a capital. Escolas e universidades continuam fechados.

Prisões

Nesta quinta-feira foram anunciadas as prisões de mais de 30 integrantes da família do ex-presidente Ben Ali.

Ainda não foi esclarecido quem são estas pessoas, mas a televisão estatal da Tunísia mostrou o que afirma ser ouro e joias apreendidas durante buscas nas casas destas pessoas.

Uma declaração oficial informou que os que estão detidos são suspeitos de crimes contra a Tunísia.

Leia mais na BBC Brasil: ONU investiga denúncia de mais de cem mortes na Tunísia

Notícias relacionadas