Sarkozy vê como ‘inevitável’ surgimento de novas moedas internacionais

Presidente Sarkozy durante discurso de posse da França na presidência do G20 e G8 (AFP)
Image caption Para Sarkozy, dólar não deve ser moeda única para transações

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse nesta segunda-feira, ao apresentar as prioridades da Presidência francesa do G20 em 2011, que o surgimento de novas potências econômicas "irá conduzir inevitavelmente à emergência de novas moedas internacionais" usadas em negócios entre diferentes países, como hoje é o dólar.

"O dólar tem um papel importante e deve ser uma moeda forte. Ele continuará preponderante, mas moeda preponderante não quer dizer única", afirmou Sarkozy, que defendeu a internacionalização de novas moedas, como o yuan.

Sarkozy reiterou a necessidade de reformar o que ele considera um "não sistema monetário internacional", dominado por um dólar fraco, que penaliza as exportações de vários países europeus, com exceção da Alemanha.

Para o presidente francês, "dizer que há um sistema monetário internacional já é um grave erro".

Segundo ele, esse sistema deixou de existir em 1971, com a multiplicação dos fluxos de capitais, o acúmulo de reservas em alguns países e o surgimento de novas moedas.

Seminário

Nicolas Sarkozy afirmou ainda que será organizado no final de março na China um seminário sobre o futuro de um novo sistema monetário internacional, no âmbito do G20 – o grupo das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia.

"É importante que esse evento ocorra justamente na China", declarou.

A Presidência francesa do G20, disse Sarkozy, deseja "reconciliar os antagonismos" entre a China e os Estados Unidos nessa questão cambial.

"Além dos confrontos, existem interesses comuns. Dois terços das reservas internacionais da China são em dólar", afirmou.

O presidente francês reiterou nesta segunda-feira seu objetivo de criar uma taxa sobre as transações financeiras. A medida, segundo ele, "é moral, considerando a crise financeira que acabamos de atravessar, e útil para dissuadir a especulação, além de eficaz para encontrar novos recursos para o desenvolvimento".

Sarkozy também propôs que o G20 elabore um "guia de conduta" para melhorar a regulação dos fluxos de capitais e a ampliação do papel do Fundo Monetário Internacional (FMI), que poderia fiscalizar os desequilíbrios mundiais em relação aos fluxos de capitais.

Agricultura

O líder francês também afirmou que o G20 deverá elaborar ações para conter a especulação nos preços das matérias-primas agrícolas.

"Se não fizermos nada, há o risco de novas revoltas da fome nos países pobres", disse Sarkozy, afirmando que os preços agrícolas em dezembro passado já ultrapassaram os valores de 2008, quando ocorreram protestos em vários países.

Sarkozy defende a regulação dos mercados de derivativos financeiros de produtos agrícolas e a maior transparência dos estoques mundiais, que deveria ter uma base comum de dados, como existe no caso do petróleo.

Além do G20, a França preside neste ano o G8, o grupo de países mais industrializados do mundo mais a Rússia. O slogan da presidência francesa desses grupos é "novo mundo, novas ideias".

Em 1975, quando o G7 foi criado, após uma crise monetária, a Europa e os Estados Unidos representavam dois terços do PIB Mundial, disse Sarkozy.

"A economia chinesa mais do que dobrou entre 2000 e 2010. Em 2050, a China poderá ser a primeira economia do mundo, a Índia a terceira e, o Brasil, a quarta", afirmou Sarkozy, ressaltando as mudanças no equilíbrio da economia mundial, que necessita de "respostas globais".

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