Manifestantes protestam contra possível governo do Hezbollah no Líbano

Image caption Os protestos ocorreram em várias cidades libanesas

Centenas de manifestantes foram às ruas de cidades do Líbano nesta segunda-feira para protestar contra a possibilidade de que um primeiro-ministro ligado ao grupo xiita Hezbollah assuma o governo do país.

Os manifestantes apoiam o premiê interino, o sunita Saad Hariri, que recentemente perdeu o apoio necessário para manter seu governo após a saída do Hezbollah da coalizão.

O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse que se seu candidato a premiê, o empresário bilionário sunita Nayib Mikati, for confirmado no cargo tentaria formar um "governo de parceria".

A indicação pode ser feita nesta terça-feira pelo presidente Michel Suleiman, que está realizando reuniões com membros do Parlamento libanês para estabelecer quem deve liderar o novo governo.

Posturas ‘moderadas’

Image caption Hariri permanece como premiê interino no Líbano

Mikati já foi primeiro-ministro durante três meses em 2005, logo após a morte do então premiê Hafik Hariri, pai de Saad.

Nesse período de crise política, a Síria (aliada do Hezbollah e acusada de responsabilidade no assassinato) encerrou sua longa presença militar no Líbano.

O bilionário disse que sua candidatura defende posturas "moderadas, consensuais e centristas".

Mas Hariri, que é apoiado pelos Estados Unidos e pela Arábia Saudita, disse que não trabalhará com um premiê escolhido pelo Hezbollah, que tem o apoio do Irã.

O premiê interino disse que se candidatará nas próximas eleições. Segundo a constituição libanesa, o posto de premiê deve ser ocupado por um muçulmano sunita.

A recente crise política do país começou com a saída do Hezbollah e seus aliados do governo no dia 12 por causa das conclusões, ainda não divulgadas publicamente, de um inquérito sobre o assassinato de Hafik Hariri.

Acredita-se que a investigação acuse o Hezbollah. O grupo nega a autoria do ataque e acusa o tribunal da ONU de servir aos interesses dos Estados Unidos e de Israel.

O grupo vinha exigindo que o governo de Hariri parasse de cooperar com a corte e deixasse de financiá-la.

Após a saída do Hezbollah da coalizão de governo, Saad Hariri permaneceu no cargo de premiê interinamente e esperava formar uma nova coalizão, mas a mudança de lados do líder druso Walid Jumblatt deu maioria ao grupo xiita no parlamento.

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