Palestinos negam que documentos vazados sejam comprometedores

Condoleezza Rice
Image caption Documentos sugerem que Rice realocar refugiados palestinos

Integrantes do governo palestino disseram nesta terça-feira que centenas de documentos secretos sobre o processo de paz entre palestinos e israelenses divulgados pela rede de TV Al-Jazeera, cuja divulgação causou uma crise na liderança palestina, foram tirados de contexto e não comprometem a liderança palestina.

A divulgação dos mais de 1,6 mil documentos sobre as negociações dos últimos dez anos foi iniciada na segunda-feira e gerou uma crise entre diferentes facções palestinas.

Em entrevista à uma rádio israelense, o negociador Nabil Shaath, que já ocupou os cargos de vice-premiê e ministro da informação, disse que os documentos "não são papéis oficiais, portanto não comprometem os palestinos".

O negociador, que está no Catar, ainda acusou o canal, que tem sede nesse país, de enfraquecer a posição dos negociadores.

Leia mais na BBC Brasil: Vazamento de documentos sobre negociações de paz gera crise entre palestinos

Troca de territórios

Jornais palestinos desta terça-feira e da segunda-feira deixaram o vazamento dos documentos secretos fora da primeira página, segundo analistas, para tentar evitar um aumento da crise. A reação da população palestina é mista. Uns dizem não acreditar no que os documentos dizem e outros afirmam que o vazamento confirma a decepção em relação a Autoridade Palestina do presidente Mahmmoud Abbas, líder do partido Fatah.

Instalações da Al-Jazeera foram atacadas na cidade palestina de Ramallah.

A emissora árabe prosseguiu nesta terça-feira com o segundo dia de divulgação dos "Documentos Palestinos" revelando que, em abril e junho de 2008, Tzipi Livni, na época chanceler israelense, teria levantado a possibilidade da troca de territórios.

Livni teria sugerido transferir as comunidades árabes-isralenses de Bart'a, Baka Al-Garbieh e Beit Safafa para o futuro Estado Palestino, mas os palestinos recusaram a proposta.

América do Sul

Os documentos também sugerem que Condoleezza Rice, que foi secretária de Estado do presidente americano George W. Bush, teria proposto a transferência de refugiados palestinos para países da América do Sul, em especial Chile e Argentina.

O direito de retorno dos palestinos refugiados fora de territórios ocupados por Israel a suas terras de origem é um grande impasse nas negociações de paz, com Israel não aceitando a volta dos mais de cinco milhões de palestinos espalhados pelo mundo.

As minutas de um encontro ocorrido em Berlim em junho de 2008 identificam como “CR” o autor da frase "talvez nós encontremos países que ajudem na solução, como Chile e Argentina".

Segundo o jornal britânico The Guardian, parceiro da TV Al-Jazeera no vazamento dos documentos secretos palestinos, Condoleezza Rice foi a única presente na reunião com estas iniciais.

O Chile é a maior comunidade de palestinos no ocidente, com uma população de entre 200 a 300 mil refugiados, segundo estimativas não-oficiais.

Image caption Assentamentos sujeitos a negociação: 1.Colina Francesa: população 7.099 2. Pisgat Zeev: população 42.115 3. Neve Yacov: população 20.383 4. Ramat Shlomo: população 15.123 5. Ramot Allon: população 42.246 6. Gilo: população 26.929 7. East Talpiot: população 12.186 8. Ramat Eshkol: população 3.388 Assentamentos fora de negociação: 9. Har Homa: população 9.615 10. Maale Adumin: população 34.324 11. Ariel: população 17.559 Fontes: OCHA, Al-Jazeera, Bureau Central de Estatísticas de Israel, Instituto para Estudos Israelenses de Jerusalém

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