Manifestantes pedem a saída do presidente no Iêmen

Ativista Tawakul Karman participa de protesto em Sanaa (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Ativista Tawakul Karman participou de protestos em Sanaa

Dezenas de milhares de pessoas organizaram uma manifestação em Sanaa, capital do Iêmen, pedindo a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, no poder há mais de 30 anos.

Os manifestantes se reuniram em pelo menos quatro lugares da capital, incluindo a Universidade de Sanaa, repetindo frases como "tempo para mudança" e fazendo referências ao levante popular da Tunísia, que resultou na fuga do ex-presidente Zine al-Abidine Ben Ali para a Arábia Saudita.

Os organizadores dos protestos no Iêmen pediram que estudantes e grupos representantes da sociedade civil protestem contra a corrupção e políticas econômicas do governo.

O partido do presidente Ali Abdullah Saleh, o Congresso Geral do Povo, também teria organizado manifestações.

O país enfrenta problemas como a crescente pobreza em meio a uma crescente população de jovens e a frustração gerada pela falta de liberdades políticas.

Os iemenitas também sofrem com uma série de problemas ligados à segurança o país, incluindo um movimento separatista no sul e um levante de rebeldes xiitas houthi no norte.

Existe também o crescente temor que o Iêmen se transforme em abrigo para a Al-Qaeda, pois os jovens desempregados, em alto número no país, podem se transformar em membros de grupos extremistas islâmicos.

Inspiração tunisiana

O presidente Abli Abdullah Saleh, aliado dos países ocidentais, se transformou no líder do Iêmen do Norte em 1978 e tem presidido a República do Iêmen desde que o norte e o sul se juntaram em um único país, em 1990. Ele foi reeleito em 2006.

Mas, os iemenitas estão insatisfeitos com as tentativas do Parlamento de relaxar as regras que tratam dos limites para o presidente ficar no poder. Estas tentativas do Parlamento despertaram o temor, na oposição, de que Saleh possa tentar se transformar em um presidente vitalício.

Uma série de protestos menores ocorreram no Iêmen antes das grandes manifestações desta quinta-feira.

No sábado, centenas de estudantes da Universidade de Sanaa fizeram manifestações no campus, algumas pedindo a saída de Saleh e outras pedindo que ele permaneça no poder.

Durante o final de semana, autoridades iemenitas prenderam Tawakul Karman, uma importante ativista do país, acusando-a de organizar os protestos contra o governo. A prisão da ativista foi a causa de mais protestos.

Depois da libertação de Karman, na segunda-feira, a ativista disse à rede de televisão CNN que está ocorrendo uma revolução no Iêmen, inspirada pela revolução tunisiana, a chamada Revolução do Jasmim.

Os protestos da Tunísia encerraram 23 anos de permanência do presidente Zine al-Abidine Ben Ali no poder e iniciaram outros protestos na região em países como Egito e Argélia.

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