Brasil e Argentina terão papel ‘crucial’ na América Latina, diz Dilma

Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Dilma falou sobre direitos humanos com as Mães ad Praça de Maio

Em sua primeira viagem ao exterior desde que assumiu o Planalto, a presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira em Buenos Aires que Brasil e Argentina terão um papel “crucial” na América Latina neste século e que os dois países serão “decisivos” no desenvolvimento econômico da região.

“Nossos países podem e vão dar passos decisivos na construção de uma vida melhor, não só para nossos povos, mas também para toda a América Latina”, disse a presidente brasileira, ao lado de sua colega argentina, Cristina Kirchner.

Segundo o Itamaraty, a escolha da Argentina como primeiro destino internacional da presidente Dilma reflete a importância do país vizinho e de toda a região no contexto da política externa brasileira.

Diplomatas ouvidos pela BBC Brasil disseram que o objetivo da viagem era mostrar que o desenvolvimento da região ainda é “prioridade” para a política externa brasileira, apesar do processo de diversificação das relações internacionais intensificada nos oito anos de governo Lula.

“Não é por acaso que fiz questão de que meu primeiro contato com o exterior fosse com a Argentina. Considero os dois países cruciais para transformar a América Latina no Século 21”, disse a presidente brasileira. "Brasil e Argentina são cruciais para transformar o século 21 no século da América Latina", acrescentou.

Ainda de acordo com Dilma, os resultados positivos obtidos pela região nos últimos anos são resultado de uma política de crescimento econômico aliada a inclusão social, colocada em prática por seus governantes.

Direitos humanos

A passagem de Dilma por Buenos Aires também incluiu um encontro com representantes das Mães da Praça de Maio, grupo formado majoritariamente por mulheres em busca de informações sobre desaparecidos durante o regime militar no país vizinho.

Além de prestigiar um dos mais tradicionais grupos civis da Argentina, o encontro também foi uma oportunidade para que a presidente brasileira pudesse reforçar seu “compromisso” pelos direitos humanos.

O tema tem sido motivo de críticas ao governo brasileiro, sobretudo em função da recente aproximação com o Irã.

Dilma aproveitou ainda o encontro com Cristina para defender uma maior participação feminina na política. “O fato de duas mulheres estarem na presidência é garantia da participação de gênero”, disse a presidente brasileira.

Acordos

Sobre a relação bilateral, Dilma defendeu que a cooperação econômica entre Brasil e Argentina vá além do agronegócio.

“Esse é o momento para abrirmos o caminho da cooperação. Estamos voltados não só para a agricultura, mas também para a tecnologia”, disse a presidente brasileira.

Um dos acordos assinados durante o encontro prevê a troca de conhecimento para a construção de reatores nucleares, com fins pacíficos.

Segundo o subsecretário-geral da América do Sul, Central e Caribe, embaixador Antônio José Ferreira Simões, cada país construirá seu próprio reator, no prazo de cinco anos.

As exportações brasileiras para o país vizinho cresceram 87% nos últimos cinco anos, chegando a US$ 18,5 bilhões em 2010. Na mão contrária, as importações da Argentina cresceram 130%, atingindo a cifra de US$ 14,4 bilhões no ano passado.

Apesar de os dados indicarem uma expansão mais acelerada das vendas de produtos argentinos no Brasil, a pauta ainda é dominada por produtos básicos, enquanto o Brasil exporta, majoritariamente, produtos mais elaborados, como automóveis, celulares e aviões.

A diferença na pauta, aliada a dificuldades econômicas vividas no país vizinho, acabam levando a constantes pressões por medidas de proteção comercial contra a importação de produtos brasileiros.

Notícias relacionadas