Egito gera reações cautelosas e temor entre países árabes e muçulmanos

Manifestantes em protesto em Beirute, no Líbano, no domingo Direito de imagem AP
Image caption Centenas foram às ruas em manifestação no domingo no Líbano

As incertezas provocadas pelos protestos populares contra o governo egípcio vêm gerando uma série de reações cautelosas entre outros países árabes e muçulmanos nos últimos dias.

Os protestos no Egito foram supostamente inspirados pelas manifestações que levaram à derrubada do governo da Tunísia, no início do mês, gerando o temor em muitos países da região de um possível efeito dominó.

Milhares de pessoas vêm protestando também desde a semana passada contra o governo no Iêmen, pedindo a renúncia do presidente.

Nesta segunda-feira, um estudante foi morto em Cartum, capital do Sudão, após as forças de segurança locais terem disparado contra manifestantes que protestavam contra o governo, inspirados pelos protestos egípcios.

Manifestações populares também foram registradas em países como Argélia, Jordânia, Arábia Saudita e Líbano, onde centenas de pessoas protestaram contra o aumento dos preços de alimentos e combustíveis e contra aumentos de impostos.

Irã

No Irã, o presidente do Parlamento, Ali Larijani, declarou apoio às manifestações populares no Egito e criticou o Ocidente, afirmando que “a essência de uma revolta não pode ser alterada por meio de falsas propagandas”.

Sem mencionar o nome do líder oposicionista egípcio e prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, que retornou ao país na semana passada para se juntar aos protestos, Larijani acusou o Ocidente de promover “uma ação oportunista” ao tentar “introduzir algumas falsas figuras como líderes principais de sua revolução”.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, não fez referência direta ao Egito, mas disse que é dever dos iranianos “esclarecer a mensagem da Revolução Islâmica de 1979” e “enfrentar as estruturas arrogantes de poder e administração e também organizar a futura administração do mundo”.

As autoridades de linha-dura do Irã vêm buscando capitalizar os levantes das últimas semanas, afirmando que eles são uma repetição da revolução de 1979, que derrubou o regime pró-americano do xá Reza Pahlevi e levou os clérigos islâmicos ao poder.

A oposição iraniana, porém, tem outra visão sobre os protestos no Egito. O ex-candidato presidencial Mir Hossein Mousavi comparou os protestos egípcios às manifestações populares no próprio Irã em 2009, após as eleições presidenciais nas quais Mousavi foi derrotado pelo presidente Ahmadinejad, acusado de fraude.

As manifestações contra a reeleição de Ahmadinejad foram as maiores no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.

Apoio

Apesar de declarações cuidadosas em toda a região, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, recebeu algumas declarações de apoio.

O rei Abdullah, da Arábia Saudita, afirmou no sábado que “nenhum árabe ou muçulmano pode tolerar qualquer intromissão na segurança e na estabilidade do Egito árabe e muçulmano por aqueles que se infiltraram entre a população em nome da liberdade de expressão, para infiltrar seu ódio destrutivo”.

A Arábia Saudita e o Egito são os dois mais importantes e poderosos aliados americanos entre os países árabes e eram comumente vistos como ilhas de estabilidade na região.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, telefonou a Mubarak para afirmar sua “solidariedade com o Egito e seu comprometimento com a segurança e a estabilidade” do país, segundo assessores.

Outro a se manifestar sobre as manifestações no Egito foi o presidente da Síria, Bashar al-Assad, que disse, em declarações publicadas pelo jornal americano The Wall Street Journal, que os protestos representam “uma nova era” no mundo árabe.

Apesar disso, Assad afirmou que seu país está “imune” a esse tipo de agitação. O presidente sírio afirmou que seu governo é estável, apesar de enfrentar mais “circunstâncias difíceis” na economia do que o restante do mundo árabe.

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