Grupo de estrangeiros realiza protesto paralelo no Egito

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Image caption Anne, Silvia e Sarah decidiram protestar na capital do Egito

Um grupo de jovens estrangeiros que mora no Cairo organizou um protesto paralelo nesta terça-feira para pedir a seus governos que apoiem as manifestações populares no Egito.

O americano Brian Walker, 25 anos, revelou à BBC Brasil que a ideia surgiu há dois dias, quando estava conversando com um amigo.

“Percebemos que a mídia internacional estava cobrindo amplamente os protestos. Então pensamos no que poderíamos fazer para ajudar e veio a ideia de organizarmos um protesto de estrangeiros”, disse ele, que estuda na capital egípcia.

Brian disse que espalhou a ideia para amigos e cada um contou para outros.

“Combinamos um horário e ficamos de trazer cartazes e fazer panfletos. Não queremos nos intrometer nos assuntos internos dos egípcios, apenas pedir que nossos governos escutem o que o povo tem a dizer”.

A estudante italiana Silvia Mollicchi, 27 anos, disse que se sensibilizou com o desejo dos egípcios de ter mais democracia.

“Percebemos que algo deveria ser feito por nós, que temos amigos egípcios e sabemos do desejo deles de ter liberdade.”

Ela diz ter ligado para várias pessoas que moram no Cairo, de várias nacionalidades, para que fossem à Praça Tahrir, no centro da capital, onde ocorrem os protestos.

Panfletos

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Image caption Brian espalhou a ideia para amigos e cada um contou para outros

Além de cartazes, o grupo confeccionou panfletos em árabe, inglês, francês e italiano, para distribuir à população e a outros estrangeiros.

A mensagem era clara – mostrar solidariedade aos anseios dos egípcios e pedir à comunidade internacional que respeitasse a vontade do povo local.

Amiga de Silvia, a americana Anne Gardner, 25 anos, segurava um cartaz de apoio aos direitos do povo egípcio.

“Não tinha como ficarmos passivos. Eu vim aqui para mostrar que nós queremos para os egípcios a democracia que eles merecem.”

Anne diz que não foi hostilizada por ninguém e que não sente medo pelo fato de ser americana, já que os Estado Unidos é um aliado do governo do presidente Hosni Mubarak.

Outra americana, Sarah Walker, 23 anos, disse apoiar a luta da população para “acabar com a repressão”.

“Hoje eu estou muito feliz em ver essas pessoas todas aqui, pela primeira vez eles se sentindo livres, sem medo de falar o que pensam”.

Outra estrangeira, a francesa Sophie Anmuth, 24 anos, disse que desejava que seu país falasse publicamente que apoia os direitos da população.

“A França tem um compromisso com liberdade e democracia, e não pode ficar passiva enquanto os egípcios buscam por valores que nós prezamos muito.”

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