Protestos no Egito

Centenas de milhares se reúnem no Cairo no maior protesto contra Mubarak

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Centenas de milhares de pessoas estão reunidas no Cairo, além de outras dezenas de milhares nas cidades de Alexandria e Suez, na maior manifestação até agora de oposição ao governo do presidente do Egito, Hosni Mubarak.

Os líderes do protesto, incluindo o oposicionista e Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, pediram que Mubarak deixe o poder até sexta-feira.

Entre os manifestantes era possível observar famílias com crianças, grupos de estudantes, pobres e profissionais liberais. Alguns cartazes carregavam símbolos tanto do islã quanto do cristianismo, em um apelo pela unidade no Egito.

A oposição esperava reunir 1 milhão de pessoas nas marchas, mas o número é impossível de ser confirmado. Ainda assim, era visível que os protestos desta terça são certamente os maiores desde o início da onda de manifestações antigoverno.

Um comunicado dos militares pedia aos presentes na praça Tahrir (local das passeatas) que se lembrassem de que o mundo está assistindo ao Egito pela TV. Por isso, os manifestantes deveriam aparecer de uma maneira "positiva" e "pacífica", relata o correspondente da BBC Mark Georgiou.

Isso ocorre depois de a ONU ter estimado que até 300 pessoas tenham morrido até agora nos distúrbios antigoverno.

Manifestantes na praça Tahrir

Praça no Cairo é onde a maioria dos manifestantes se concentra

Nesta terça-feira, a atmosfera é festiva até o momento. Os manifestantes, que também convocaram uma greve geral por tempo indeterminado, acreditam que o anúncio feito pelas Forças Armadas de que o Exército não usaria força contra os integrantes dos protestos deve incentivar a população a participar dos eventos.

Militares

No que foi visto como uma concessão do governo aos manifestantes, a TV egípcia veiculou um aviso dos militares que alertava contra “qualquer ato que desestabilize a segurança do país”, mas também afirma que os militares “não estão (usando) e não vão usar força contra o público”, acrescentando que as demandas da população são legítimas.

Clique Leia mais: Exército egípcio diz que não usará força contra manifestantes

Em Alexandria, o correspondente Wyre Davies relata que há milhares de muçulmanos, cristãos e membros de distintas facções políticas entre a multidão que pede a saída de Mubarak. Houve pequenas brigas com apoiadores do presidente, que tentaram confiscar equipamentos dos jornalistas, mas os grupos pró-Mubarak estão em número muito menor que os opositores.

Em contrapartida, a TV estatal mostrou imagens de protestos pró-Mubarak. Como as câmeras da televisão mostravam imagens fechadas, era impossível estimar a quantidade de manifestantes que foram às ruas apoiar o presidente, mas eles pediam “não aos distúrbios” e se queixavam da paralisação da economia egípcia em meio aos protestos.

Oposição

O correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne afirma que, para a maioria dos egípcios, a saída de Mubarak, no poder há quase 30 anos, é apenas uma questão de tempo.

Outros analistas acreditam que a greve geral é o sinal mais claro de que uma liderança unida estaria emergindo nos protestos contra o atual governo.

Líderes da coalizão de oposição formada durante os protestos realizaram um encontro na manhã desta terça-feira, depois do qual ElBaradei pediu que Mubarak deixe o poder.

“Pode haver diálogo, mas só depois que as demandas da população forem atendidas, e a primeira dessas demandas é a saída de Mubarak”, disse ElBaradei à TV Al-Arabiya.

Enviado dos EUA

O enviado especial dos Estados Unidos, Frank Wisner, já está no Egito para encontrar-se com Mubarak. A ideia é reforçar a mensagem de Washington de que o país precisa de mudanças reais.

A Casa Branca reuniu especialistas para avaliar formas de lidar com a crise egípcia. Há informações de que o governo americano tem dúvidas sobre o que fazer caso Mubarak se recuse a deixar o poder.

Segundo o correspondente da BBC em Washington Mark Mardell, a opinião predominante no governo é de que Mubarak deve sair, com o Exército assumindo o controle do Egito até que sejam realizadas eleições.

Para Mardell, no entanto, o presidente americano, Barack Obama, vê como contraproducente manifestar esta ideia em público.

Clique Leia mais na BBC Brasil: Mubarak renova gabinete no sétimo dia consecutivo de protestos

Na noite de segunda-feira, o Google anunciou ter colocado em operação um serviço especial para que os egípcios pudessem mandar mensagens no Twitter apenas deixando um recado de voz em um número específico.

É uma reação ao corte no serviço de internet promovido pelo governo pouco depois do início da onda de protestos. O envio de mensagens de texto também foi prejudicado.

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