Premiê turco pede que presidente do Egito escute as 'exigências do povo'

Homem toca tambor na praça Tahrir nesta terça-feira (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Há temores de que protestos egípcios 'contagiem' países vizinhos

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse que o presidente egípcio, Hosni Mubarak, deve dar ouvidos às exigências do povo.

Em discurso na sede do partido governista, Erdogan afirmou que está nas urnas a solução para a crise do Egito, que há uma semana vive onda de protestos antigoverno. "Em nosso mundo, atualmente, as liberdades não podem mais ser adiadas ou ignoradas", disse o turco.

O premiê turco afirmou que Mubarak precisa ouvir o "clamor" do povo. "Vá ao encontro do desejo do povo por mudança, sem hesitar."

Erdogan também pediu que os manifestantes egípcios não apelem para a violência durante os protestos.

"Façam apenas uma luta digna pelas liberdades. Este é o seu direito democrático. Democracia e liberdades não são privilégios, são direitos humanos", afirmou.

Em outros países do Oriente Médio, a reação aos protestos do Egito tem sido pequena, mas, de acordo com correspondentes, muitos líderes da região acompanham a situação com um clima de tensão.

O primo do rei Mohammed 6º, príncipe Moulay Hicham, disse ao jornal espanhol El País que o Marrocos provavelmente também terá protestos. "Não devemos nos enganar, quase todo sistema autoritário será afetado por esta onda de revolta, e o Marrocos não deve ser exceção."

O presidente sírio Bashar Al-Assad disse ao Wall Street Journal nesta terça-feira que o que está ocorrendo no Egito é uma "espécie de doença" que os líderes precisam tratar.

Assad disse ainda que as manifestações não devem se espalhar para a Síria, alegando que a liderança do país está ligada às crenças do povo.

Jordânia

Na Jordânia, o Rei Abdullah 2º nomeou um novo primeiro-ministro após protestos contra a pobreza e o desemprego no país. Ele pediu ao novo premiê Marouf Bakhit que dê início a reformas políticas.

O movimento de oposição jordaniano, que é islâmico, afirmou que não vai tentar repetir os protestos do Egito, nem expulsar o rei, mas exigiu eleições diretas para primeiro-ministro no país.

No Irã, mais de 200 ministros assinaram um comunicado de apoio às manifestações pela saída de Mubarak, mas condenaram o que chamaram de "esforços para separar o movimento dos valores islâmicos".

Analistas afirmam que Líbia, Argélia, Iêmen e outros países da região poderão ser afetados pela crise no Egito.

Nesta terça-feira, centenas de milhares de pessoas voltaram às ruas do Cairo para protestar contra Mubarak, na maior manifestação antigoverno desde o início da recente onda de protestos.

Direitos humanos

A alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou que 300 pessoas podem ter morrido em todo o Egito desde o início dos protestos, há oito dias.

Em entrevista em Genebra, Pillay pediu reformas fundamentais no Egito e afirmou que os protestos desta terça-feira serão um momento crucial para o Egito em sua transição para uma sociedade mais livre e justa.

Segundo a correspondente da BBC em Genebra Imogen Foulkes, Pillay elogiou os manifestantes, descrevendo-os como corajosos e pacíficos, e criticou as autoridades egípcias que, segundo ela, nos últimos 30 anos não colocaram os direitos humanos como prioridade e praticaram violações e torturas.

Pillay também afirmou que está preocupada com o possível número de mortos nos protestos e pediu que a polícia do Egito evite o uso excessivo da força. A alta comissária da ONU também disse que o governo egípcio deveria parar de interromper serviços de comunicação no país.

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