EUA condenam violência e mostram preocupação com imprensa no Egito

Cairo/AP Direito de imagem BBC World Service
Image caption Os dois lados se enfrentaram com pedras e armas improvisadas

O governo dos Estados Unidos expressou nesta quarta-feira sua "firme condenação" à violência que opõe simpatizantes e opositores do governo de Hosni Mubarak no Egito e manifestaram preocupação em relação a episódios de ataques contra jornalistas no país.

Em uma coletiva, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse, ao ser questionado se considerava Mubarak um ditador, que "o governo (americano) acredita que o presidente Mubarak tem a oportunidade de mostrar ao mundo exatamente quem ele é ao dar início à transição que é tão necessária no seu país".

Horas antes, em comunicado, a Casa Branca havia "deplorado e condenado a violência que acontece no Egito". "Estamos profundamente preocupados com ataques contra a imprensa e manifestantes pacíficos."

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que os acontecimentos no Egito e na região como um todo ressaltam a importância de uma diplomacia americana forte.

“Estes são tempos cruciais para a liderança global americana", afirmou Hillary, que ressaltou ainda que os EUA precisam ser mais "ágeis" ao lidarem com os acontecimentos internacionais.

Os confrontos violentos entre manifestantes pró e contra o governo ocorrem no nono dia consecutivo de protestos na capital egípcia.

Leia mais na BBC Brasil sobre os acontecimentos desta quarta-feira no Egito

Ataques à imprensa

No Twitter, o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley, disse que os EUA se preocupam com as prisões e com os ataques à imprensa ocorridos no Egito.

"A sociedade civil que o Egito deseja construir inclui uma imprensa livre", escreveu ele.

Em comunicado, o ministro de Relações Exteriores da Bélgica, Steven Vanackere, exigiu que as autoridades egípcias libertem o jornalista Serge Dumont, correspondente do jornal Le Soir. Vaneckere disse que o jornalista foi atacado e preso durante os protestos.

O jornal sueco Aftonbladet também diz que dois de seus repórteres foram atacados por uma multidão furiosa em uma área pobre do Cairo. Em seguida, eles foram detidos por soldados por muitas horas.

Karin Oestman, uma das jornalistas atacadas, disse que as pessoas cuspiam em suas faces e os acusavam de ser da agência de inteligência israelense, a Mossad.

'Dois mundos'

A violência desta quarta-feira na Praça Tahrir, no Cairo, também foi considerada "inaceitável" pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

"Estou profundamente preocupado com a contínua violência no Egito e mais uma vez peço para que ambos os lados se contenham", disse ele. "Qualquer ataque contra manifestações pacíficas é inaceitável e o condeno com veemência."

As declarações foram feitas em Londres, onde Ban se reuniu com o premiê britânico, David Cameron.

O primeiro-ministro também condenou a violência. "Se for revelado que o regime está de alguma forma patrocinando ou tolerando esta violência, será completa e profundamente inaceitável", disse Cameron.

"Essas cenas são lamentáveis e não devem se repetir. Elas ressaltam a necessidade de reforma política", completou o britânico.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, disse ao Parlamento do país que a inquietação no Egito pode desestabilizar o Oriente Médio "por muitos anos" e dar início a uma batalha entre democratas e islâmicos radicais.

"Existem dois mundos, duas metades, duas visões - a do mundo livre e a do mundo radical", disse.

"Qual deles prevalecerá no Egito? A resposta é crucial para o futuro do Egito, para o futuro da região e para nós aqui em Israel."

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