Jornalistas dizem ter sido presos por forças egípcias

Confronto no Cairo Direito de imagem BBC World Service
Image caption Repórter da CNN diz que foi agredido por apoiadores de Mubarak

No nono dia de protestos no Egito, ao menos seis jornalistas estrangeiros disseram ter sido presos ou agredidos por forças policiais ou manifestantes.

O repórter da BBC Rupert Wingfield-Hayes foi detido pela polícia quando voltava de uma visita a um bairro rico do Cairo, onde fora conversar com um conselheiro do presidente Hosni Mubarak.

“Na rua, fui confrontado por membros da elite governante egípcia – escolarizados, articulados e furiosos. Quando retornávamos de Heliópolis, nosso carro foi forçado a parar por outro grupo de homens bravos”, contou o repórter.

“Eles nos entregaram à temível Mukhabarat, a polícia secreta em suas jaquetas de couro marrom. Fomos algemados, vendados e levados a uma sala de interrogação. Três horas depois fomos soltos numa rua remota”.

Anderson Cooper, jornalista da CNN, disse que sua equipe foi agredida enquanto passava por manifestantes pró-Mubarak.

“Imediatamente regressamos, percebemos que a situação se deterioraria rapidamente. Voltamos a caminhar tranquilamente e então recebemos chutes e socos. Tentamos ficar juntos e procurar um local seguro”, disse Cooper.

Segundo ele, os manifestantes tentaram quebrar a câmera da equipe.

Também nesta quarta-feira, o jornal sueco Aftonbladet relatou que dois de seus repórteres foram atacados por uma multidão no Cairo e detidos por várias horas por soldados egípcios, que teriam os acusado de espionar para o serviço secreto israelense e ameaçado matá-los.

A rede de TV Al-Arabiya divulgou que um repórter da emissora que estava sumido reapareceu. Segundo a CNN, ele foi agredido por apoiadores de Mubarak e entregue a militares.

A BBC relatou ainda que três jornalistas israelenses foram presos no Egito. Autoridades israelenses contataram o governo egípcio e pediu pela soltura dos três.

Além de denúncias de prisões e agressões, também houve relatos de revistas ocorridas em quartos onde jornalistas estão hospedados.

Um produtor da TV Al-Jazeera disse que funcionários do Hilton Hotel estavam vistoriando quartos dos hóspedes e confiscando câmeras. Foram relatadas buscas em outros hotéis, inclusive em quartos de repórteres brasileiros.

Notícias relacionadas