Somali que atacou cartunista que desenhou Maomé é condenado a 9 anos

Kurt Westergaard | Foto: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Cartunista se escondeu em um cômodo blindado de sua casa

Um homem somali que realizou um ataque contra a residência do cartunista dinamarquês que fez uma caricatura do profeta Maomé foi condenado a nove anos de prisão por um tribunal dinamarquês.

Mohamed Geele, de 29 anos, foi condenado na quinta-feira por tentativa de homicídio e terrorismo, após seu ataque no ano passado, contra Kurt Westergaard.

Retratar o profeta Maomé é considerado um tabu no mundo islâmico. A publicação de uma charge com sua imagem por uma publicação dinamarquesa provocou protestos violentos em diversos países islâmicos

Durante o julgamento, Geele contou ter invadido a casa de Westgaard, na cidade de Aarhus, durante a Noite do Réveillon de 2010.

O cartunista estava em casa com Stephanie, sua neta de cinco anos de idade, quando Geele invadiu sua casa

Em seu testemunho, o dinamarquês disse que o condenado estava munido de um machado e um faca e, ao ver o artista, gritou: ''''Você vai morrer!'' e ''Você vai para o inferno!''.

Ele se trancou em um cômodo blindado de sua casa, um banheiro especialmente reforçado.

Glee tentou invadir o recinto batendo na porta com seu machado, mas tentou fugir do local ao ouvir sirenes de polícia.

Ao se trancar no banheiro, Westergaard deixou sua neta sozinha na sala, mas afirmou que ''o invasor estava atrás de mim, não das pessoas ao meu redor''.

A menina, em seu testemunho, afirmou ter pensado que Geele fosse um ladrão e pediu que ele fosse embora.

Como ainda estava armado quando os policiais chegaram ao local, o homem somali levou um tiro e foi preso.

Conexões

O autor do crime poderá ainda ser deportado para a Somália ao terminar de cumprir a sua sentença.

A pena máxima que ele poderia ter obtido seria a prisão perpétua. A promotoria defendia uma sentença de 12 anos.

O advogado de defesa de Geele, Niels Strauss, pediu uma sentença suspensa de no máximo seis anos e que seu cliente não fosse deportado.

Durante o veredito, divulgado nesta quinta-feira, o tribunal afirmou que o ataque foi bem planejado.

Geele procurou o endereço do artista na internet. No dia da virada do ano, ele comprou um machado e afiou a faca que já possuía.

Ele foi absolvido da acusação de ter tentado matar um policial, por ter arremessado seu machado contra um dos policiais que tentaram prendê-lo, mas foi considerado culpado pela agressão contra o policial.

O condenado chegou à Dinamarca em 1995, como refugiado do conflito civil em seu país de origem.

Residente na cidade de Aalborg, ele ingressou em um clube de jovens, onde se tornou um modelo para outros integrantes, como contou um ex-funcionário do local, Nuuradiin Hussein.

''Ele era um dos melhores meninos do clube'', afirmou Hussein, que trabalha como assistente social.

"A maior parte dos meninos da idade dele queriam falar de garotas e de futebol, mas ele só queria falar sobre o futuro e sobre estudos.''

Segundo dados da inteligência dinamarquesa, em determinado momento, Geele envolveu-se com o movimento islâmico somali Al-Shabab.

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