Protestos no Egito

Líderes do partido de Mubarak renunciam

Para executar este conteúdo em Java você precisa estar sintonizado e ter a última versão do Flash player instalada em seu computador.

Executar com Real Media Player OU Windows Media Player

Vários dos principais líderes do Partido Nacional Democrático, legenda do presidente egípcio Hosni Mubarak, renunciaram neste sábado, numa aparente concessão aos manifestantes contrários ao governo.

Os dois principais aliados do presidente Hosni Mubarak, incluindo seu filho Gamal, deixaram seus postos. Os dois cargos foram ocupados por Hossam Badrawi, um reformista e médico proeminente.

Os manifestantes ainda ocupam a praça Tahrir, no centro do Cairo, mas estão em menor número do que na sexta-feira.

Mubarak também conversou com ministros sobre um meio de reavivar a economia.

Os bancos reabrirão no domingo, mas o ministro das Finanças, Samir Radwan, afirmou que a situação era “muito séria”.

Analistas dizem que a turbulência tem custado ao menos US$ 310 milhões por dia ao país.

Antes, houve relatos de uma explosão num gasoduto que fornece gás a Israel e à Jordânia. O incidente causou um incêndio próximo à cidade de El-Arish, segundo a televisão estatal egípcia.

Paralisação

A renúncia dos líderes do PND foi anunciada na TV estatal.

“Os membros do comitê executivo renunciaram de seus postos. Foi decidido nomear Hossam Badrawi secretário-geral do partido”, afirmou a TV.

Gamal Mubarak perdeu seu cargo de diretor do comitê de políticas, e o general Safwat al-Sharif deixou o posto de secretário-geral.

Relatos não confirmados de uma TV privada dizem que Mubarak também teria renunciado do cargo de diretor do partido.

Mubarak já afirmou que não disputará a reeleição à Presidência em setembro, mas diz que deve permanecer no cargo até lá para impedir o caos no país. Manifestantes exigem sua saída imediata.

No sábado, o presidente encontrou o primeiro-ministro e os ministros das Finanças, Petróleo e Indústria e Comércio, assim como o governador do banco central.

Foto:AP

Número de manifestantes na praça Tahrir diminuiu neste sábado

Negociações

Após 11 dias de protestos, o governo começa a sinalizar que dará início a negociações com a oposição sobre a transferência de poder.

O ministro das Finanças do país, Samir Radwan, disse à BBC que o vice-presidente Omar Suleiman se encontraria com líderes da oposicionistas, mas até o momento apenas partidos pequenos confirmaram participação nas conversas.

O principal grupo de oposição no Egito, a Irmandade Muçulmana, disse estar pronto para dialogar com o governo, desde que haja um acordo por escrito sobre a realização de uma reforma política dentro de um cronograma.

Em uma declaração divulgada na noite de sexta-feira pelo grupo, não há nenhuma menção à exigência, feita anteriormente, de que Mubarak deixe o poder imediatamente.

Uma das principais figuras de oposição, o Nobel da Paz Mohamed ElBaradei tampouco confirmou presença nas negociações.

Manifestação

Milhares de pessoas ainda ocupam a Praça Tahrir, no centro do Cairo, após a enorme manifestação de sexta-feira, mas o correspondente da BBC Jim Muir afirma que, aos poucos, as pessoas estão deixando o local.

Segundo ele, começaram a surgir dúvidas dentro do movimento sobre o quanto ainda é possível conseguir através de manifestações. Além disso, muitas das pessoas envolvidas nos protestos estariam preocupadas com a perda de renda.

A crise política gerou uma paralisia econômica no país, fechando bancos e a bolsa de valores do Cairo, os turistas deixaram os resorts e os preços de produtos como cigarros e pão vêm subindo vertiginosamente.

Tópicos relacionados

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.