Irmandade Muçulmana aceita negociar com governo egípcio

Manifestantes leem jornal na Praça Tahrir Direito de imagem AFP
Image caption Manifestantes continuam ocupando a Praça Tahrir, no centro do Cairo

O mais importante grupo de oposição no Egito, a Irmandade Muçulmana, afirmou que vai participar de negociações com representantes do governo neste domingo, após 12 dias de protestos pedindo a renúncia do presidente Hosni Mubarak.

O grupo disse que as conversas deste domingo serviriam para avaliar o quanto o governo vai aceitar das "exigências da população".

Se a reunião for adiante, será a primeira vez que representantes do governo e da Irmandade, uma organização oficialmente declarada ilegal, sentam à mesa de negociações.

Anteriormente, o grupo havia exigido que Mubarak deixasse o poder antes de qualquer conversa com o governo.

O recém-nomeado vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, convidou grupos de oposição, incluindo a Irmandade Muçulmana, para discutir reformas políticas antes das eleições em setembro. Encontros com pequenos partidos foram realizados no sábado.

Eleições

Apesar das quase duas semanas de protestos nas ruas do Cairo e de outras grandes cidades do país, o presidente Hosni Mubarak - no poder desde 1981 - afirmou que não renunciará, mas prometeu não concorrer à reeleição.

Mubarak já responsabilizou a Irmandade Muçulmana pela organização das manifestações e afirma que se ele deixar o cargo, o grupo vai se aproveitar do caos político que se instalará.

O correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne diz que a Irmandade é sem dúvida uma força importante no Egito, mas sofre divisões internas e não apresenta intenções claras, apesar de negar que tenha o objetivo de criar um Estado Islâmico no país.

Segundo Leyne, a decisão do grupo de participar das conversas com o governo é uma estratégia arriscada. O prestígio do grupo sofreu arranhões após a demora em apoiar os protestos e ainda há muito ceticismo em relação às negociações por parte dos manifestantes.

O correspondente da BBC diz ainda que o governo Mubarak espera que os protestos percam força à medida em que os manifestantes decidam voltar ao trabalho, mas de acordo com Leyne não há sinais de que eles vão desistir das manifestações.

Leia também na BBC Brasil: Líderes do partido de Mubarak renunciam

Economia

Neste domingo, bancos e lojas estão reabrindo após uma semana fechados, em meio a temores de que a população tente sacar o dinheiro depositado em contas.

O Banco Central está liberando parte de suas reservas de US$ 36 bilhões para cobrir as possíveis retiradas, mas o presidente da instituição diz acreditar que todas as transações "serão honradas".

O governo tenta reanimar a economia do país, que estaria perdendo pelo menos US$ 310 milhões por dia devido à crise no país.

Os turistas sumiram do Egito e muitas lojas, fábricas e até a bolsa de valores estão fechadas há dias. Muitos produtos básicos estão em falta.

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