Protestos deixam dois mortos no Barein; rei anuncia investigação

Manifestantes protestam em Manama Direito de imagem AP
Image caption Levantes no Egito e na Tunísia inspiraram barenitas

O rei do Barein, um pequeno país árabe no Golfo Pérsico, anunciou nesta terça-feira a abertura de uma investigação sobre as mortes de dois manifestantes em confrontos com forças de segurança, durante protestos realizados nos últimos dias no país.

Em um raro pronunciamento nacional pela TV, o rei Hamad Bin Issa Al Khalifa ofereceu suas condolências às famílias dos mortos.

“Todos devem saber que atribuí ao primeiro-ministro Jawad Al-Urayyid a missão de formar um comitê especial para encontrar as razões que levaram a esses lamentáveis eventos”, afirmou.

O rei também disse que avançaria com as reformas anunciadas desde que o país se tornou uma monarquia constitucional, em 2002. “A reforma continuará. Ela não parará.”

Após o discurso, milhares de manifestantes se reuniram na Praça Pérola, a principal da capital do país, Manama. Muitos carregavam bandeiras do Bahrein e cantavam: “Nem sunitas nem xiitas. Nós somos todos barenitas”.

Mortes

Inspirados pelos protestos no Egito e na Tunísia, os manifestantes no Barein também vêm exigindo mais direitos políticos e mudanças no regime.

Nesta terça-feira, o manifestante Fadel Salman Matrouk morreu após levar um tiro quando a polícia atirava gás lacrimogêneo e balas de borracha para conter um protesto.

Ele estava entre um grupo de cerca de 2 mil pessoas que se reuniu para o funeral de Ali Abdulhadi Mushaima, que morreu após ser atingido por uma bala de borracha em confrontos no vilarejo de Daih, a leste de Manama, na segunda-feira.

Após a morte de Matrouk, o líder do principal partido oposicionista do Barein, Abu Jalil Ibrahim, disse ao serviço em árabe da BBC que decidiu boicotar o parlamento em resposta às “práticas brutais” das forças de segurança.

Tensões

A maioria da população do pequeno país do Golfo Pérsico é formada por muçulmanos xiitas, mas eles são governados por uma família real sunita desde o século 18.

Desde se tornarem independentes da Grã-Bretanha, em 1971, os barenitas têm vivenciado tensões entre a elite sunita e a maioria xiita. Os xiitas se dizem marginalizados, reprimidos e sujeitos a leis injustas.

O conflitou se apazigou quando o xeque Hamad se tornou emir. Ele libertou prisioneiros políticos, permitiu o retorno de exilados e aboliu uma lei que permitia ao governo deter por três anos indivíduos sem julgamento.

Ele também iniciou um cuidadoso processo de reforma democrática. Em 2001, eleitores aprovaram a proposta de transformar o Barein numa monarquia constitucional.

No ano seguinte, Hamad se proclamou rei e ordenou a criação de uma Assembleia Nacional.

O correspondente da BBC Kevin Connolly diz que o Barein tem uma relação próxima com os Estados Unidos – a Quinta Frota americana está sediada lá –, fazendo com que Washington acompanhe atentamente os episódios recentes.

Notícias relacionadas