'Morto' reaparece com identidade de irmão em prisão no Havaí

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Image caption Roy (à esq.) falou com o irmão Paul pela primeira vez em 49 anos

Um homem que acreditava que seu irmão havia morrido há décadas descobriu através de um telefonema que este estava vivo e que vinha usando sua identidade há quase 50 anos.

Paul Woodhouse, que vive perto da cidade escocesa de Oban, na Grã-Bretanha, tinha sido informado por seu pai há várias décadas que seu meio-irmão, Roy, morrera na África do Sul.

Mas, na semana passada, recebeu um telefonema de um oficial de um centro de detenção de imigrantes em Honolulu, no Havaí, e ficou sabendo que Roy, de 69 anos, estava vivo e que usava sua identidade.

Paul Woodhouse, de 62 anos, sabia que seu irmão usava sua identidade desde que obteve um passaporte no nome dele na década de 60. Mas a família perdeu contato com Roy em 1967, quando ele tinha se mudado para a África do Sul.

Anos mais tarde, o pai deles, Isaiah, que já morreu, contou à família que Roy, que passou a juventude entrando e saindo de reformatórios antes de se mudar para o exterior, havia morrido na África do Sul.

''Fiquei bastante traumatizado quando meu pai me contou que Roy havia morrido, porque eu esperava que, onde quer que ele estivesse, ele ainda estivesse vivo e que um dia nós pudéssemos nos encontrar novamente'', afirmou.

Última lembrança

"A última lembrança que tenho dele é de quando ele tinha 13 ou 14 anos de idade, e que ele costumava ser internado em reformatórios e depois saía. Depois, ele partiu e nós nunca mais ouvimos falar dele até 1967'', afirmou.

Paul conta que estava aprendendo a dirigir e que a primeira vez que pegou o carro de seu pai foi para ir a uma corte na cidade de Southampton, onde Roy seria julgado.

''Roy foi a julgamento porque havia entrado clandestinamente no navio Queen Mary e fora preso no porto de Nova York. Me lembro que ele foi para a prisão de Winchester."

Paul acredita que, depois de ser preso, Roy começou a usar sua identidade para tentar obter um passaporte para viajar novamente para o exterior.

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Image caption Foto do irmão datada de 1967, antes de ele desaparecer

Depois de décadas achando que seu irmão tivesse morrido, Roy recebeu o telefonema do Havaí, que mudou tudo.

Woodhouse ficou sabendo que Roy havia sido preso no ano passado e que contou às autoridades que estava usando a identidade do irmão.

Uma representante do Departamento de Imigração dos Estados Unidos, Joy Tokunago, passou meses tentando rastrear a família de Roy para confirmar a história de Roy, já que este não poderia ser libertado e retornar à Grã-Bretanha antes que fossem expedidos novos documentos de identificação.

Por e-mail, Paul enviou ao centro de detenção no Havaí algumas histórias que só seu irmão poderia confirmar, o que acabou acontecendo.

''Ainda não sei por que ele foi detido, mas não creio que tenha sido algo grave, já que eles estão providenciando a sua libertação'', disse Paul.

Após a troca de e-mails com as autoridades, Paul pode conversar com seu meio-irmão pelo telefone, a primeira conversa entre os dois em 49 anos.

''Quando telefonei para Roy, eu perguntei 'como vai você?'Como está o sujeito que voltou dos mortos?'''

''Não fiz muitas perguntas, porque ele estava muito nervoso em falar comigo'', afirmou.

Perdão do irmão

Para Paul, que é cristão praticante, o reencontro é um "milagre".

''É impressionante, um milagre. Sim, Roy roubou a minha identidade, mas até aqui isso não me causou quaisquer adversidades em minha vida.

"Sei que ele pretende retornar à Grã-Bretanha. Ele me contou que está enfrentando problemas de saúde, mas não informou quais são.''

Woodhouse disse não saber o que seu irmão fez durante todos esses anos, mas afirmou que ele nunca se casou ou formou uma família.

''Ele disse que estava vivendo em Honolulu desde 1995, fazendo um pouco de tudo e vivendo como morador de rua'', afirmou.