Ex-refém das Farc reencontra família após mais de um ano de cativeiro

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Image caption Segundo Baquero, todos os reféns devem ser libertados até junho

Uma missão humanitária a bordo de um helicóptero brasileiro resgatou, nesta quarta-feira, um dos cinco reféns que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) haviam prometido libertar nos próximos dias.

O vereador Marcos Baquero, de 33 anos, era mantido em cativeiro desde junho de 2009. Em suas primeiras declarações a uma emissora de TV local, Baquero fez um apelo para que todos os reféns em poder da guerrilha sejam libertados.

"Temos que continuar trabalhando duro para a libertação de outros sequestrados", disse, por telefone, à TV Caracol. "Graças a Deus, já estou em liberdade."

O helicóptero que transportava Baquero chegou ao aeroporto de Villavicencio, no departamento (Estado) de Meta às 17h (19h no Brasil), com pelo menos três horas de atraso em relação ao horário previsto para o fim deste primeiro resgate - de uma série de três que serão realizados até domingo. O vereador foi recebido com emoção pela esposa e dois filhos, um de 10 e outro de 2 anos. Marcha

Logo depois de sua chegada, Baquero disse que organizará uma passeata para para exigir a libertação de todos os reféns.

O vereador disse que uma das dificuldades que enfrentava em cativeiro era estar isolado. "O pior é não ter com quem conversar." "É preciso acabar com os sequestros, isso é muito duro para o país, muitas famílias estão sofrendo com isso", disse. Baquero reiterou a informação que havia sido divulgada pela ex-senadora Piedad Córdoba, ao afirmar que "provavelmente" até junho todos os reféns que ainda estão em cativerio serão colocados em liberdade.

Os familiares organizaram uma festa para receber o vereador, que era presidente do Conselho Municipal de San José del Guaviare quando foi sequestrado pela guerrilha.

Participaram da missão humanitária a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba, principal mediadora com a guerrilha, membros do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, membros da ONG Colombianos e Colombianas pela Paz e a tripulação brasileira.

Conforme o acordo estabelecido entre a guerrilha, Cruz Vermelha e o governo, as Forças Armadas suspenderam suas operações militares, incluindo sobrevoos, durante 36 horas, para garantir a segurança das equipes de resgate e dos reféns.

Acordo de paz

A libertação deste grupo de reféns aumenta a expectativa na Colômbia de que a guerrilha e governo negociem um acordo de paz para terminar com o conflito armado que dura mais de seis décadas.

Nesta semana, as Farc emitiram um comunicado no qual mencionam a necessidade de abrir um canal de diálogo que leve a uma "negociação política" do conflito armado.

Para o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, as libertações unilaterais não são suficientes para isso.

"Isso não basta. Os colombianos exigimos, demandamos a imediata libertação de todos os sequestrados", disse. "Para começar a pensar na possibilidade de diálogo são necessários fatos contundentes: renúncia ao terrorismo, ao sequestro, ao narcotráfico, à extorsão e à intimidação", afirmou Santos na segunda-feira.

A última e fracassada tentativa de diálogo entre governo e as Farc ocorreu durante o governo de Andrés Pastrana, entre 1998 e 2002. Desde então, em especial, com a chegada do governo do ex-presidente Álvaro Uribe prevalece a vía militar, não negociada, de combate ao grupo armado.

Novas libertações

Na sexta-feira, a missão humanitária deve regressar à selva colombiana para resgatar a outros dois reféns: o vereador Armando Acuña e o soldado da Marinha Henry López.

O fim do processo de libertações, que ocorrerão em três pontos diferentes da selva colombiana, será no domingo, quando a missão humanitária deve trazer de volta o major da polícia Guillermo Solórzano e o suboficial do Exército Salín Antonio Sanmiguel.

Com essas libertações, ainda restarão 16 reféns em poder da guerrilha. De acordo com a senadora Piedad Córdoba até junho, todos os sequestrados serão colocados em liberdade.

Córdoba, que se tornou a principal articuladora das libertações unilaterais de reféns da guerrilha, teve seu mandato cassado no ano passado, em uma controvertida decisão da Corte colombiana, que a acusou de manter ligações políticas com o grupo armado.

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