Protestos no Egito

Exército do Egito anuncia que revogará estado de emergência

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O comando das Forças Armadas no Egito disse que encerrará o estado de emergência que vigora no país há 30 anos assim que a "situação atual tiver terminado".

Em comunicado divulgado após uma reunião na manhã desta sexta-feira, o Conselho Supremo do Exército disse que endossava a transferência de poderes anunciada pelo presidente Hosni Mubarak ao vice-presidente Omar Suleiman.

As Forças Armadas disseram ainda que garantirão eleições livres e justas, mudanças constitucionais e a "proteção da nação".

A revogação do estado de emergência era uma das principais reivindicações da oposição.

Mubarak deixou a capital, Cairo, nesta sexta-feira, e viajou para resort de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho, mas ainda não se sabe qual a razão da viagem.

Protestos

O anúncio dos militares parece ter tido pouco impacto sobre a movimentação de manifestantes nesta sexta-feira, que realizam protestos em massa em vários pontos do país.

Muitos desconfiam que o comunicado seria apenas uma estratégia para esvaziar as manifestações.

Cairo/11 de fevereiro

Uma multidão se aglomera em frente ao prédio da TV estatal no Cairo

A presença militar na cidade parece maior do que na semana passada, com mais soldados e veículos blindados nas ruas. Mesmo assim, o clima parece mais leve do que o da quarta e quinta-feira passadas, quando ocorreram confrontos entre simpatizantes de Mubarak e manifestantes antigoverno.

É comum ver cenas de manifestantes pedindo um posicionamento dos militares contra ou a favor dos protestos. Esta cobrança é feita por meio de faixas cartazes, slogans ou mesmo conversas individuais, mas sem agressividade.

Outra diferença dos protestos desta sexta-feira é que os manifestantes não pedem apenas a saída de Mubarak, mas de todo o governo.

Exército

A reunião do Conselho Supremo do Exército foi presidida pelo ministro da Defesa, general Hussein Tantawi.

Imagens da reunião exibidas pela TV estatal egípcia mostraram Tantawi comandando o encontro sentado à mesa com dezenas de outros oficiais, mas sem a presença de Mubarak ou Suleiman.

O comunicado do Conselho foi transmitido pela TV estatal egípcia, enquanto ativistas se reuniam em diversos pontos da capital, Cairo, para novos protestos contra o presidente.

Desde a madrugada desta sexta-feira, manifestantes começaram a se reunir em volta de prédios do governo, do Parlamento e da TV estatal, entre outros locais. Centenas de manifestantes formaram uma barreira humana em torno do edifício que abriga TVs e rádios estatais para impedir a entrada de funcionários.

Soldados com tanques que vigiavam a rua da TV estatal não impediram a chegada de cerca de dois mil manifestantes que se aglomeraram perto do local.

Soldados egípcios vigiam a sede da TV estatal do Egito pouco após o discurso do presidente Hosni Mubarak, na madrugada desta sexta-feira, dia 11 de fevereiro.

Militares cercaram prédios estatais, mas não coibiram ativistas

Os organizadores pretendem realizar protestos em seis locais diferentes, além da praça Tahrir, que tem concentrado as maiores manifestações contra o governo - e que também foi palco de confrontos violentos entre manifestantes pró e anti-Mubarak.

Reação

Na madrugada de sexta-feira, milhares de pessoas reunidas na praça Tahrir manifestaram, aos gritos de “abaixo Mubarak” e “vá embora”, sua revolta contra o discurso de Mubarak em rede nacional na quinta-feira à noite.

Contrariando expectativas dos manifestantes contrários a seu governo e rumores de que usaria o discurso para renunciar, o presidente afirmou que permanecerás no poder, e que egue com a ''responsabilidade de proteger a Constituição e garantir os interesses do povo''. Ele disse ainda que transferirá parte de seus poderes a seu vice, Omar Suleiman, mas não especificou quais.

A Constituição do Egito permite que o presidente transfira suas principais funções se for incapaz de exercê-las ''devido a quaisquer obtáculos temporários''.

Após o discurso, manifestantes na praça Tahrir mostraram solas dos sapatos (ato considerado ofensivo no mundo árabe), em sinal de repúdio ao pronunciamento. Em seguida, milhares de pessoas começaram a se dirigir até o palácio presidencial.

'Presidente de fato'

Ainda que Mubarak não tenha renunciado, seu status à frente do governo do país não ficou claro.

Na quinta-feira, em entrevista à rede de TV CNN pouco após o pronunciamento, o embaixador do Egito nos Estados Unidos, Sameh Shoukry, disse que o presidente egípcio transferiu toda a autoridade para o vice-presidente do país, Omar Suleiman - ex-chefe do serviço de inteligência do Egito.

Manifestantes se decepcionaram com o discurso de Mubarak, realizado em 10 de fevereiro de 2011

Manifestantes se decepcionaram com o discurso de Mubarak

Segundo o representante do Egito em Washington, Mubarak ''permanece sendo o chefe de Estado de direito'', ao passo que Suleiman ''é o presidente de fato''.

"O presidente Mubarak transferiu toda a autoridade para o vice-presidente''. O embaixador acrescentou que ''Suleiman agora está exercendo toda a autoridade do presidente, como exige a Constituição''.

Um dos líderes da oposição egípcia, Mohamed ElBaradei, Nobel da Paz e ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), disse, na quinta-feira, em seu perfil no microblog Twitter que ''o Egito vai explodir'' e que ''o Exército deve salvar o país imediatamente''.

Ele ainda acrescentou: ''Eu peço que o Exército egípcio interfira imediatamente para resgatar o Egito. A credibilidade do Exército está em jogo''.

O grupo Irmandade Muçulmana qualificou o dicurso de Mubarak como ''uma farsa''. ''Temos um presidente ilegítimo passando o poder para um vice-presidente ilegítimo'', afirmou Mohammed Abbas, que representa a ala jovem da Irmandade Muçulmana. ''Nós rejeitamos este discurso e pedimos a Mubarak que renuncie e que transfira seus poderes para o Exército''.

''Existe uma disputa de poder entre Mubarak e o Exército. Os egípcios confiam no Exército'', acrescentou.

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