Centenas de manifestantes são detidos após enfrentar polícia na Argélia

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Image caption Policial à paisana domina manifestante durante confronto em Argel

A polícia da Argélia entrou em confronto com manifestantes que protestavam contra o governo neste sábado na praça central da capital, Argel, desafiando o estado de emergência que está em vigor no país há quase 20 anos. Centenas de pessoas foram detidas e levadas do local.

Segundo a correspondente da BBC em Argel Chloe Arnold, apenas algumas dezenas de jovens ativistas sobraram na praça Primeiro de Maio, no centro da capital.

Arnold afirma que helicópteros estão sobrevoando a área central da cidade, enquanto veículos blindados e barreiras estão impedindo a passagem de ônibus com mais manifestantes. Cerca de 20 mil policiais estão trabalhando na operação.

Mais cedo, milhares de pessoas gritavam palavras de ordem contra o presidente do país, Abdelaziz Bouteflika, exigindo melhores condições de vida e maior liberdade.

Partidários de Bouteflika também se organizaram e se reuniram nas ruas de Argel.

Os recentes protestos no Cairo e na Tunísia são tidos como os eventos que inspiraram a mobilização dos argelinos contra o governo.

Na noite dessa sexta-feira, a polícia interveio quando uma multidão tomou as ruas para comemorar a saída do presidente egípcio, Hosni Mubarak.

Argel já havia registrado confrontos entre manifestantes e policiais em janeiro deste ano, em meio a protestos contra o desemprego, os preços dos alimentos e as más condições de moradia.

Os protestos populares são proibidos na Argélia devido a um estado de emergência que dura desde a guerra civil de 1992. No início de fevereiro, o presidente afirmou que esta situação seria suspensa "em um futuro muito próximo".

Bouteflika fez a declaração em uma reunião com ministros, segundo a mídia estatal. Ele afirmou que os protestos seriam tolerados em qualquer parte do país, menos na capital.

Repressão

Segundo a correspondente da BBC em Argel Chloe Arnold, a situação na Argélia é semelhante à de outros países árabes, como o Egito. Bouteflika, 73 anos, está na Presidência desde 1999 e é acusado por muitos de se manter no poder por meio de um regime repressivo.

Além disto, segundo Arnold, uma grande quantidade de cidadãos abaixo dos 30 anos está sem emprego e enfrentando problemas sérios de habitação.

A corrupção disseminada no governo e a baixíssima qualidade dos serviços públicos também aumentam a insatisfação dos argelinos.

Nos anos 1990, a política na Argélia foi dominada por uma luta entre os militares e grupos muçulmanos. Em 1992, uma eleição geral vencida por um partido islâmico foi anulada, levando a uma sangrenta guerra civil que deixou mais de 150 mil mortos.

A correspondente da BBC acredita que a lembrança deste conflito, em que pessoas eram decapitadas em plena luz do dia, pode "diminuir o apetite dos argelinos por um levante político".

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