EUA vão aumentar apoio para combate à censura na internet

Hillary Clinton Direito de imagem AP
Image caption Segundo Hillary, EUA estão investindo em tecnologia de ponta na internet

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse nesta terça-feira que o governo dos Estados Unidos vai destinar US$ 25 milhões (cerca de R$ 41 milhões) neste ano para ajudar dissidentes políticos a combater a censura da internet em diversos países.

Nos últimos três anos, segundo a secretária, Washington já destinou US$ 20 milhões (cerca de R$ 33 milhões) para esse fim.

“Os Estados Unidos continuam a ajudar as pessoas em ambientes opressivos em relação à internet a burlar filtros, ficar um passo à frente dos censores, dos hackers e dos bandidos que as agridem ou prendem pelo que elas dizem online”, disse Hillary, em um discurso sobre liberdade na internet em uma universidade de Washington.

No discurso, feito menos de uma semana depois da renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak, após 18 dias de protestos populares, a secretária afirmou que governos repressivos não devem tentar restringir o acesso à internet, porque esses esforços acabarão fracassando.

Redes sociais

As redes sociais na internet, como Facebook e Twitter, tiveram papel relevante nos protestos egípcios e foram usadas por ativistas para organizar manifestações contra o governo.

O governo reagiu inicialmente bloqueando o acesso à internet, celulares e sinais de satélite. No entanto, as manifestações continuaram e acabaram forçando a renúncia de Mubarak, na última sexta-feira.

Logo após a queda de Mubarak, eclodiram protestos semelhantes por reformas em diversos países do mundo árabe, nos quais as redes sociais têm sido usadas para mobilizar manifestantes.

Ao ressaltar o papel das redes, Hillary disse que o Departamento de Estado americano pretende criar contas de Twitter em chinês, russo e hindi. Na semana passada, foram lançados os serviços em árabe e persa.

Recursos

Segundo a secretária, os recursos fornecidos pelo governo americano para combater a repressão na internet serão investidos em tecnologias, ferramentas e em treinamento.

“Nós apoiamos múltiplas ferramentas. Então, se governos repressivos descobrem como atingir uma delas, outras estarão prontas”, afirmou.

Hillary disse ainda que o governo americano está investindo em tecnologia de ponta, porque os governos repressivos também renovam constantemente seus métodos de repressão.

“Nós precisamos estar à frente deles.”

WikiLeaks

A secretária também comentou o vazamento de milhares de documentos secretos do governo americano por meio do site WikiLeaks e disse que o episódio não está relacionado à liberdade na internet.

“A confidencialidade do governo foi tópico de debate durante os últimos meses por causa do WikiLeaks. É um debate falso em vários aspectos. Fundamentalmente, o incidente do WikiLeaks começou com um ato de roubo. Documentos do governo foram roubados, da mesma maneira que teria ocorrido se fossem furtados de uma pasta”, disse.

Hillary rejeitou o argumento de que a divulgação dos documentos se justificava porque o governo teria a responsabilidade de conduzir seu trabalho de maneira aberta.

“Eu discordo. Os Estados Unidos não poderiam nem garantir a segurança de seus cidadãos nem promover a causa dos direitos humanos e da democracia ao redor do mundo se nós tivessemos que tornar público cada passo de nossas operações mais sensíveis.”

Notícias relacionadas