Protestos no Irã ‘não vão a lugar nenhum’, afirma Ahmadinejad

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Image caption Para Ahmadinejad, protestos tentam 'manchar o esplendor' do Irã

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou em uma entrevista à TV local que os protestos da oposição realizados em várias cidades do país no início da semana “não vão a lugar nenhum” e prometeu punir os seus organizadores.

Ahmadinejad afirmou, durante a entrevista, que “inimigos” estão tentando “manchar o esplendor da nação iraniana”.

Pelo menos duas pessoas morreram e várias ficaram feridas em confrontos entre os manifestantes e forças de segurança no centro de Teerã na segunda-feira, segundo as autoridades locais.

Os protestos de segunda-feira foram os maiores no Irã desde 2009, quando grupos opositores foram às ruas para protestar contra as supostas fraudes ocorridas nas eleições presidenciais que reelegeram Ahmadinejad.

Dezenas de milhares de pessoas participaram dos protestos da segunda-feira, convocados pela oposição para manifestar solidariedade com a revolta popular que derrubou o presidente egípcio, Hosni Mubarak, após quase 30 anos no poder.

Na semana anterior, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, havia elogiado os protestos no Egito, os quais comparou à Revolução Islâmica de 1979 no Irã.

Dezenas de pessoas foram presas após os protestos e vários líderes da oposição, incluindo os ex-candidatos presidenciais Mir Hossein Mousavi e Mahdi Karroubi, foram colocados em prisão domiciliar.

Na terça-feira, parlamentares iranianos pediram que Mousavi e Karroubi fossem julgados e executados por terem convocado os protestos.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, criticou duramente a resposta das autoridades iranianas aos protestos.

“Acho irônico que você tenha o regime iraniano pretendendo celebrar o que aconteceu no Egito, quando de fato eles agiram em contraste direto com o que aconteceu no Egito ao abater e golpear pessoas que estavam tentando se expressar pacificamente”, disse o presidente americano.

Obama afirmou que os Estados Unidos não podem determinar o que acontece dentro do Irã, mas que esperava que as pessoas tivessem “a coragem de serem capazes de expressar sua nostalgia por uma maior liberdade e por um governo mais representativo”.

‘Morte aos ditadores’

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Image caption Protestos em Teerã reuniram dezenas de milhares na segunda-feira

Na entrevista desta terça-feira, Ahmadinejad afirmou que a intenção dos protestos realizados no dia anterior em Teerã e em várias outras grandes cidades do país era manchar a imagem de um evento realizado na sexta-feira para comemorar o 32º aniversário da revolução islâmica.

“É claro que a nação iraniana tem inimigos, porque é uma nação que quer brilhar, conquistar picos e mudar suas relações (internacionais)”, disse ele.

“Claro, há muita hostilidade contra o governo. Mas eles sabiam que não chegariam a lugar nenhum”, afirmou.

Ahmadinejad afirmou que os organizadores dos protestos “só queriam manchar o esplendor da nação iraniana”. “Ela é um sol brilhante. Eles queriam jogar um pouco de poeira no sol... Mas a poeira volta sobre seus olhos”, afirmou.

Durante os protestos da segunda-feira, os opositores egípcios manifestaram solidariedade com os levantes populares que derrubaram os governos da Tunísia e do Egito desde janeiro. Muitos cantavam “Morte aos ditadores”.

O correspondente da BBC Moshen Asgari, que acompanhou os protestos, disse que não demorou muito até que a polícia disparasse bombas de gás lacrimogêneo, enquanto homens montados em motocicletas tentavam dispersar a multidão com golpes de bastão.

Testemunhas disseram à BBC que dezenas de manifestantes foram detidos e levados em vans. O general Ahmed Reza Radan, comandante da polícia, afirmou que várias pessoas foram presas, mas não especificou quantas.

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