Com três dias de atraso, Farc liberam mais dois reféns

Helicóptero brasileiro usado no resgate Direito de imagem AFP
Image caption Segundo analistas, Farc buscam recuperar credibilidade com solturas

Com três dias de atraso, um policial e um militar que haviam sido sequestrados pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) foram resgatados por uma missão humanitária nesta quarta-feira, com ajuda do Brasil, dando fim ao processo de libertações unilaterais da guerrilha que começou há uma semana.

O helicóptero brasileiro, cedido para o resgate dos reféns, aterrissou em meio a uma forte chuva às 16h locais (18h de Brasília) no aeroporto do departamento (Estado) de Cali, trazendo a missão humanitária e os dois oficiais colombianos.

O major da polícia Guillermo Solórzano, de 34 anos, ficou em cativeiro durante quase quatro anos, e o cabo do Exército Salin Sanmiguel, 25, estava em poder da guerrilha havia quase três anos.

Em seguida, os ex-reféns embarcaram em outro voo rumo a Bogotá, onde serão recebidos por seus familiares. De acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, uma das organizações facilitadoras desses resgates, os oficiais estão bem de saúde.

"Nos alegra que os familiares (dos ex-refens) possam estar com seus seres queridos, que esperavam havia muito tempo", afirmou Christophe Beney, diretor da Cruz Vermelha colombiana.

Beney agradeceu o apoio logístico do governo brasileiro e disse que a missão humanitária está "satisfeita" com o cumprimento dos acordos assumidos pelo governo e pelas Farc.

O resgate de Solórzano e Sanmiguel correu o risco de ser suspenso pelas autoridades colombianas.

Eles deveriam ter sido resgatados no domingo, mas, quando a comissão humanitária aterrissou no local determinado pela guerrilha, os reféns não estavam ali. De acordo com o governo colombiano, a operação fracassou porque as coordenadas dadas pelas Farc estavam erradas.

A guerrilha, por sua vez, afirmou em comunicado ter entregado informações adequadas e "a tempo" para que os reféns fossem resgatados.

Analistas consideram que, com a libertação desses seis reféns, resgatados desde o início da semana passada, as Farc buscam recuperar credibilidade nacional e internacional e angariar apoio para a abertura de diálogo com o governo colombiano.

‘Manipulação’

As libertações ocorrem em meio a duras críticas à guerrilha pelo governo colombiano, que tachou as solturas de "midiáticas" e "propagandísticas".

"Vamos permitir que as libertações se finalizem, mas depois vamos revisar bem a política de continuar permitindo essas libertações gota a gota e com essa farsa. Isso nem o país, nem o governo querem", afirmou o presidente colombiano Juan Manuel Santos.

Com as libertações desta quarta-feira, as Farc ainda mantêm em seu poder 15 reféns, considerados "prisioneiros de guerra" pelo grupo, por se tratarem de oficiais do Exército e da polícia.

De acordo com a ex-senadora Piedad Córdoba, até junho todos os reféns que ainda estão em cativeiro serão libertados. No entanto, ainda não há um acordo público entre governo e guerrilha para viabilizar esses resgates.

Apesar das críticas do governo, grupos de familiares de reféns e de organizações de defesa dos direitos humanos colombianos veem nessas libertações um caminho para uma abertura de um diálogo de paz que leve ao fim do conflito armado que já dura mais de seis décadas.

As Farc dizem estar dispostas a um "diálogo político". O governo Santos, no entanto, diz que não haverá negociação se as Farc não abandonarem "o sequestro, terrorismo e práticas de extorsão”.

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