Oriente médio

Bahrein proíbe manifestações; polícia isola praça que sediou protestos

Para executar este conteúdo em Java você precisa estar sintonizado e ter a última versão do Flash player instalada em seu computador.

Executar com Real Media Player OU Windows Media Player

As forças de segurança em Bahrein usaram tanques, veículos de polícia e arame farpado para cercar e isolar a praça central em Manama, capital do país, que tem concentrado os recentes protestos contra o governo.

Milhares de manifestantes foram evacuados à força da praça durante a madrugada desta quinta-feira pela polícia, que usou bombas de gás lacrimogêneo e golpes de bastão.

O ministro do Interior, Rashed bin Abdullah al-Khalifa, fez um pronunciamento no canal de televisão estatal proibindo novos protestos e alertando que o Exército tomará todas as medidas necessárias para garantir a segurança.

Um correspondente da BBC Ian Pannell informou que pelo menos três pessoas morreram durante a operação da polícia na madrugada e mais de 300 pessoas ficaram feridas.

Segundo Pannell, há informações de que a polícia usou não apenas balas de borracha como também balas convencionais contra os manifestantes.

Horas depois de a polícia tomar a praça central de Manama, os militares anunciaram na televisão estatal do país

que assumiram o controle de "partes importantes" da cidade.

Acampamento

Um manifestante, identificado apenas como Mohamed, disse à BBC que a operação da polícia durante a noite na praça central de Manama foi "horrenda".

"Eles deveriam ter usado mangueiras de água ao invés de usar balas de borracha e outras armas proibidas. Havia mulheres e crianças que ficaram aterrorizadas pelo ataque."

Na manhã desta quinta-feira ocorreram choques com a polícia em frente ao hospital principal de Manama, o Salmaniya. Centenas de pessoas se juntaram em frente ao hospital, algumas respondendo aos pedidos de doações de sangue e outros destruindo fotos da família real do país.

Tanques em volta da praça central de Manama, Bahrein (Reuters)

Militares informaram que controlam 'partes importantes' da capital

Um morador, que se identificou apenas como Ali e foi doar sangue, falou com a BBC.

"Muitas pessoas estão nos portões do hospital. A polícia fechou a área então ninguém pode entrar ou sair - alguns tentaram sair e a polícia atirou contra eles. Há muitos tanques e helicópteros", afirmou.

Os manifestantes que pediam uma ampla reforma política no país vinham acampando na praça desde terça-feira.

Durante a semana, outras duas pessoas já haviam morrido e dezenas ficaram feridas em confrontos.

Ibrahim Sherif, do partido secular Waad, disse à BBC que a polícia agiu sem qualquer aviso por volta das 3h (22h de quarta-feira em Brasília).

"Ao longo de todo o dia havia boatos de que teríamos outras 24 horas, mas o ataque veio sem aviso", afirmou.

Sherif disse à BBC que os protestos vão continuar.

"Vamos continuar a fazer o que for necessário para transformar (este país) em um país democrático, mesmo se alguns de nós perder a vida", afirmou.

Preocupações

Antes da invasão policial à praça, os Estados Unidos tinham manifestado preocupações com a violência no país e pediram moderação e respeito aos "direitos universais de seus cidadãos" e a "seus direitos a protestar".

O Bahrein é um importante aliado americano no Oriente Médio e abriga uma base da Quinta Frota Naval dos Estados Unidos.

Na quarta-feira, o porta-voz da Casa Branca Jay Carney disse que os Estados Unidos estão “acompanhando de muito perto os eventos no Bahrein e em toda a região”.

As autoridades do Bahrein disseram que não tiveram opções a não ser invadir a praça para dispersar os manifestantes.

“As forças de segurança esvaziaram a praça após terem esgotado todas as opções de diálogo”, afirmou o porta-voz do Ministério do Interior, general Tarek al-Hassan, em um comunicado divulgado pela agência oficial BNA.

Ele afirmou que alguns manifestantes “se recusaram a se submeter à lei” e que por isso a polícia teve que intervir para dispersá-los.

Onda de protestos

Os protestos no Bahrein, onde a maioria muçulmana xiita vem sendo governada por uma família real da minoria sunita desde o século 18, são parte de uma onda de manifestações contra governos que vem tomando países muçulmanos no norte da África e no Oriente Médio.

Desde o início do ano, levantes populares já derrubaram os governos da Tunísia e do Egito.

Para Ian Pannell, a resposta brutal das autoridades aos protestos no Bahrein indica que a família real vê sua permanência no poder ameaçada pela onda de protestos na região.

Os manifestantes pediam a libertação dos prisioneiros políticos, a criação de empregos e a construção de casas populares, o estabelecimento de um Parlamento mais representativo, uma nova Constituição e um novo gabinete que não inclua o atual primeiro-ministro, xeque Khalifa bin Salman Al Khalifa, que está no cargo há 40 anos.

Em uma rara aparição na TV na terça-feira, o rei do Bahrein, xeque Hamad bin Isa Al Khalifa, lamentou as mortes de manifestantes e disse que continuaria com as reformas iniciadas em 2002, quando o emirado se transformou em uma monarquia constitucional.

Na quarta-feira, mais de mil pessoas compareceram ao funeral em Manama de um homem que havia sido morto na terça-feira durante confrontos com a polícia durante o funeral de outro manifestante.

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.